sábado, 11 de agosto de 2012

Roma/Brasil e o Pão & Circo


Roma/Brasil e o Pão & Circo


Ludemberg Pereira Dantas

Na história de Roma, a escravidão, o desemprego e a migração, ocasionaram os problemas sociais. O povo permaneceu então desprotegido, sem uma atenção favorável. Foi então, que o Imperador, buscando manter o controle, para que o povo não se revoltasse com a falta de emprego e melhores condições de vida, criou a política “panem et circenses”,  a política do pão e circo.
“Este método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu) e durante os eventos eram distribuídos alimentos (trigo, pão). O objetivo era alcançado, já que ao mesmo tempo em que a população se distraia e se alimentava também esquecia os problemas e não pensava em rebelar-se. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle, que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.”
Na história do Brasil, não acontece diferente. O país passou por todo um processo de escravidão. Na contemporaneidade, existe uma política democrata, dando o direito ao homem de escolher seus representantes. Com isso, o país sofre uma história marcante de corrupção. São fatos, registros, relatos, provas e consequências para com um povo que ainda sofre de fome, seca, violência, educação. O governo cria então o programa contra a fome: O Bolsa Família (um cala a boca) para as famílias carente do país.
No mais, um país subdesenvolvido que apresenta um povo que ainda vive da alienação, dos casos fictícios, dos vícios. Vivem desprotegidos, escravos de um sistema que traz marcas de uma política carente de assistência, segurança e proteção, presos à política do Pão & Circo.
Em meio a essa comparação Roma/Brasil, o que se deve considerar é a insatisfação de ter que aceitar tamanho desrespeito com a população. Até quando? É preciso que todo homem de bem se manifeste e tente mudar esse quadro, que durante séculos cria histórias de vergonha, desmerecimento e desilusão.

Referências:

Texto: Pão & Circo. Pregador Almir Rogério - Rio Grande do Sul – Brasil.
Site: http://www.artigonal.com/politica-artigos/a-politica-do-pao-e-circo-584140.html.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Poesia do Prenome Ludemberg


Poesia do Prenome

Ludemberg


Para entender a origem do meu prenome
é preciso antes saber de onde veio a letra
 que me deu esse nome:

L é a décima segunda letra do alfabeto latino
Na fonética, L é uma consoante lateral alveolar líquida
Corresponde ao número 50 na numeração romana.

O antecessor do meu L provém do lamed fenício,
que significava "cajado" e era desenhado
 pela adaptação do hieróglifo egípcio.

Na Grécia, recebeu o nome de lambda (Λ λ)
e sofreu algumas alterações em relação ao caractere.
Chegando aos romanos minha letra evoluiu
 até se tornar o símbolo de um traço vertical e outro horizontal
que aparece na Coluna de Trajano e que usamos hoje, no atual.

L é o símbolo do professor Licurgo,
conhecido popularmente como Louco,
para descobrir quem possui o Caderno do Riso.

Daí surge então a indagação:
Seria eu professor ou um louco, predestinado?
Professor: estou estudando pra ser,
Louco, percebo que posso passar a ser,
Diante a um sistema, se vier a ele temer.

Possuo Cadernos:
onde os escrevo e os reescrevo, o que for preciso.
Do riso vivo e não me arisco a negar que gosto disso.

Sendo o oitavo e último filho,
Não sei se tenho as qualidades que me deram:
 “L” na inicial do nome tem qualidades marcantes:
 inteligência, versatilidade e capacidade de expressão.

Minhas relações com o sexo oposto
tende a fluir maravilhosamente,
pois o poder de minha sedução é realmente muito grande.

  Não sou muito adeptos a grupos,
gosto mesmo de sair com alguém sem ninguém por perto.
Tomar uma decisão é realmente algo dificílimo
 e como fuga torno-me preguiçoso, teimoso e até mesmo desligado.

Assim, encerro essas qualificações, na certeza de que:
O que sou, não sei se realmente me pertenceu ou pertence,
Apenas vivo, na certeza de que estou vivo e vivendo.

O cortiço, de Aluísio Azevedo / Naturalismo


O cortiço, de Aluísio Azevedo:

Capítulo III

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.
Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saiam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas. (p. 67).

Ludemberg Pereira Dantas
  
Em consideração à obra, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é perceptível a presença do Realismo/Naturalismo brasileiro, quando em consonância ao texto “Estilo de Época na Literatura” de Domício Proença Filho, são apresentados características das quais tanto significam a “realidade materialmente verdadeira” de um povo que vive sua história e seus valores morais, como também de um escritor, que através de sua escrita minuciosa, expõe sua preocupação, sobretudo, com uma mensagem.
Sendo a escola Naturalista levada a representar uma visão patológica da sociedade, tem-se no fragmento apresentado a imagem do homem natural, que leva sua rotina com marcas de uma conquista imposta hereditariamente e pelo meio físico social. Um cortiço com sua infinidade de portas e janelas alinhadas, sendo palco de uma aglomeração de inquietudes e liberdades.
“Roupa lavada; sabão ordinário; palidez grisalha e triste”. Homens, mulheres e crianças com suas especificidades “gritantes”. “Cabeças congestionadas de sono; amplos bocejos, fortes; cheiro quente do café; choros; risos; sons; cantar de galos; cacarejar de galinhas”. Assim, Aluisio observa e analisa fatos com traços de amoralismo, indiferença e significados de uma sociedade que “não se camufla” diante sua realidade.
Com forte característica do período Naturalista, o determinismo surge com uma representação do meio, da raça e do momento. Daí é surgida a ideia de que a degradação, problemas ligados à miséria que tanto afeta o homem, são frutos do comportamento humano. Contudo, tal afirmativa é verdadeira?!
“O termo Naturalismo caracteriza a doutrina filosófica que preconiza que só as leis científicas sobre a natureza é que são válidas”. Não iria Aluísio Azevedo com “O cortiço” negar e/ou afirmar o comportamento do homem como sendo determinado, a partir do momento que a razão reflete as determinações e consequências de uma sociedade que foi, é e tem perspectivas a permanecer subordinada a um sistema histórico, político e econômico. 

RESENHA: NAPOLITANO, Marcos. Como usar a televisão na sala de aula. 7ª ed. - São Paulo: Contexto, 2007. (Como usar na sala de aula).



RESENHA

NAPOLITANO, Marcos. Como usar a televisão na sala de aula. 7ª ed. - São Paulo: Contexto, 2007.  (Como usar na sala de aula).


Discentes:

Josafá Alecrim ¹
Ludemberg Dantas
Maria Claudinei
Milton Cardoso
Sônia Marlene
   
O autor, Marcos Napolitano, é doutor em História Social pela USP, professor do Departamento de História da USP, onde leciona História do Brasil Independente. Foi professor da Universidade Federal do Paraná. Autor de vários livros, entre eles, Como Usar o Cinema em Sala de Aula, Como usar a televisão na sala de aula, Cultura brasileira: utopia e massificação e co-autor de História na Sala de Aula e Fontes Históricas, todos publicados pela Editora Contexto.
Marcos Napolitano apresenta no livro Como usar a televisão na sala de aula visões e alertas de como o professor deve usar essa ferramenta na prática da sala de aula, servindo de suporte para apoiar o desenvolvimento da aula com mais interação e novas perspectivas no ensino/aprendizado. O autor mostra a Televisão como um veículo de possibilidades para o ensino na sociedade contemporânea, como sendo fruto de benefícios ou até mesmo alienações, sendo essa discussão força para o desenvolvimento de sua análise:

[...], nos usos sociais da TV, interferem fatores importantes, muitas vezes ambíguos, que são fundamentais em qualquer experiência cultural e simbólica: razão e emoção; alienação e participação; sonho e realidade; lazer e trabalho; tédio e frustração. (NAPOLITANO. p. 17, 2007).

No desenvolver da escrita, Marcos afirma que a televisão passou por todo um processo de adaptação da linguagem e que na contemporaneidade, essa representação segue com ideias de cunho “apelativo e institucional”, no momento em que é tida como uma mercadoria, onde os produtores são os desenvolvedores da programação, e os receptores o próprio público telespectador, que acaba direta ou indiretamente, “fies” a todo um processo de causas e efeitos.
De acordo com Napolitano, o uso de novas linguagens motivam os alunos, dando oportunidade à escola de buscar novas fontes de aprendizagem, como as imagens, os vídeos produzidos pela sociedade e veiculados por um veículo específico como a TV.                  
O autor também aponta para o fenômeno da tecnologia e a dificuldade em estabelecer relação entre as classes sociais tradicionais e aquela vivida numa era da tecnologia, da midiabilidade, levando reflexão a respeito da palavra escrita e como os conteúdos midiáticos podem contribuir na formação ou aprendizagem, relacionada com um campo social que domina e que pressupõe um conjunto de identidades e experiências sociais. A TV, segundo Napolitano, é o componente midiático por excelência:

“[...] questão principal que a escola deve pensar: como a TV realiza a socialização de conteúdos diversos (estéticos, informativos, científicos, de entretenimento etc.) sem passar pela decodificação da linguagem escrita”. (NAPOLITANO. p. 17, 2007).

O conteúdo da TV, devidamente apropriado pela escola, é articulado com o conhecimento científico e escolar, trabalhado pelos meios e linguagens tradicionais. Deprende-se que Napolitano delimita bem o que é real, vivenciado pelo aluno no dia a dia e o que é reproduzido na TV, incorporando valores e comportamentos ideológicos. Por outro lado, o autor conscientiza o leitor contra o preconceito e críticas artificiais contra a mídia televisual.
Portanto, cheio de contra pontos interessantes para se pensar a respeito da relação entre TV e escola, o autor trás reflexões e procedimentos necessários para a articulação dos conteúdos da TV na escola, para uma melhor otimização do trabalho do professor.



¹ Discentes do Curso de Letras, turma 2009.2, Universidade do Estado da Bahia - Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas - Campus XVI – Irecê – BA. josafarts@hotmail.com, ludembergpereira@hotmail.com, mariclau2001bsgb@gmail.com, sistemaestelar@gmail.com, soniamarlenefigueiredo@hotmail.com.

Estudos fonético-fonológicos no ensino médio


Estudos fonético-fonológicos no ensino médio


DISCENTES:

ANA LÚCIA SATURNINO
DAGIZA MARQUES NAZARÉ
EDSON DE PAULA JR.
LUCIANA OLIVEIRA S. SARAIVA
LUDEMBERG PEREIRA DANTAS
PAULO EDUARDO A. DE SOUSA
TAIZE MERGULHÃO FRANÇA

  

Atividade solicitada pelo prof. Dr. André Gáspari como atividade avaliativa da disciplina Estudos Fonéticos e Fonológicos aos discentes do 6º semestre do curso de Letras da UNEB, campus XVI.



Sumário

1.      Do Objeto de Análise ..................................................................................................................... 4
2.      Da Análise do Material ................................................................................................................. 6
2.1.1.     Sons e Letras ................................................................................................................ 6
2.1.2.     Vogais e semivogais (em prol da Sociolinguística) ..................................................... 7
2.1.3.     Sílaba ............................................................................................................................. 8
2.1.4.     Sílaba Tônica e Sílaba Átona ........................................................................................ 9
2.1.5.     Encontros Vocálicos .................................................................................................... 10
2.1.6.     Ortoépia e Prosódia .................................................................................................... 10
3.      Considerações .............................................................................................................................. 11
4.      Referências ................................................................................................................................... 11
5.      Anexos


1.      Do Objeto de Análise

No dia 05/07/2012, às 10hs, nós, alunos do 6º semestre do curso de Letras, da UNEB: Universidade do Estado da Bahia, Campus XVI, Irecê-Ba, nos dirigimos ao Colégio Polivalente Governador Antônio Carlos Magalhães, localizado na Avenida Caraíbas, S/N, no município de Irecê-Ba e realizamos uma entrevista com a professora Ieda Marques Pereira Bonfim, que leciona a disciplina de Língua Portuguesa no 1º ano do Ensino Médio, no turno matutino da referida instituição, série que compreende alunos numa faixa etária entre 14 e 15 anos.
O colégio, localizado no centro da cidade, é uma instituição de ensino público que muito contribui para a educação dos estudantes da microrregião de Irecê, oferecendo ensino nas séries do 1º ao 3º ano do Ensino Médio e servindo de espaço para outros encontros educacionais, como o programa Universidades Para Todos, cursinho preparatório para o vestibular. Seus alunos, bem como a turma composta pela professora entrevistada, na maioria das vezes são adolescentes e jovens da classe pobre da cidade, que esperam do governo e do ensino público, uma educação de qualidade.
No ato da entrevista inquirimos à professora acerca de questões pertinentes ao presente trabalho, dentre outras: a) Qual a postura didático-metodológica adotada para o ensino das matérias de fonética e fonologia? b) Qual o material utilizado? c) Como é ordenada a apresentação dos temas? d) Qual a aceitação e o nível de apreensão que ela percebia nos alunos quanto aos conceitos explicitados?
            Ao proceder à oitiva, nos relatou a professora que inicia seu trabalho voltado para o ensino dos órgãos constituintes do aparelho fonador e os aspectos fisiológicos da produção dos fonemas, agregando a isto uma explanação acerca de possíveis problemas psico-fisiológicos que possam ocasionar dificuldades na produção e emissão dos sons da fala. Postergados os aspectos mecânicos do funcionamento do aparelho fonador devido também a pouca ênfase dada para a classificação dos sons linguísticos no material didático utilizado, a entrevistada relata que instrui os estudantes acerca dos encontros consonantais, encontros vocálicos e os dígrafos, elementos imprescindíveis para serem abordados no assunto em questão, chegando a declarar que, de acordo com um professor de pós-graduação da qual faz parte, os dígrafos deveriam ser os únicos elementos que deveriam ser trabalhados em sala de aula tendo em vista o cunho pragmático no tocante a concursos, vestibulares e primazia na aprendizagem dos discentes, opinião que a entrevistada discorda.
             Prosseguindo, a entrevistada critica o material didático utilizado devido sua incompletude, acrescentando ser esse um dos motivos que a faz utilizar diversas fontes para consulta e construção de seus planos de aula. Ao especular sobre a realidade cognoscente dos alunos no período letivo a que fazemos referência, relata-nos da dificuldade em desenvolver um trabalho mais aprimorado, visto que, no 1º ano, existe a necessidade de introdução aos conceitos basilares de fonética e fonologia ao invés do desenvolvimento da base teórica sobre as questões da comunicação e produção dos sons da fala que os alunos já deveriam conhecer. Ademais alega utilizar-se de recursos tecnológicos audiovisuais no intuito de facilitar o entendimento dos alunos quanto à gênese sonora do ato comunicativo humano, relacionando inclusive a perspectiva ética da discriminação sofrida pelos que possuem problemas para se comunicar, ao que adicionamos as relações de poder subjacentes ao conhecimento do “bom falar”, do “bom escrever”, em suma, do controle e conhecimento destas ferramentas discursivas de poder que constituem o motor ordenador da sociedade humana.
            Finalizando a entrevista conversamos acerca do cunho político concatenado ao sistema gramatical que constitui a língua elucidando inclusive a dimensão do protesto. Neste momento relacionamos a atual greve de professores que está acontecendo no estado da Bahia, a ironia quanto ao nome do colégio (Polivalente Governador Antônio Carlos Magalhães) e o regime de silêncio que o falecido político instituía no estado baiano, à medida que a entrevistada observara o caráter ainda mais fascista adotado pelo atual governador do estado, como “lobo em pele de cordeiro”, utilizando-se de um discurso praticamente contrário ao ideal sempre defendido e à postura realmente adotada.
            Sendo assim, na posição de licenciados e futuros docentes, vimos com essa entrevista que o conteúdo trabalhado em sala de aula não corresponde a uma apreensão significativa por parte dos alunos, uma vez que estes, destituídos de uma formação educacional e psicossocial de qualidade devido muitas vezes serem gestados no seio da desigualdade e da segregação social, têm certa carência no tocante à aprendizagem. Podemos também inferir que este defasado sistema público de educação, pelo qual os professores lutam e reivindicam melhorias no atual movimento grevista, e uma sedada sociedade segregacionista, injusta e discriminatória são os principais responsáveis pelo déficit na aquisição do conhecimento destes estudantes que serão os cidadãos do futuro, conformando, invariavelmente, um ciclo vicioso de corrupção, imobilidade e cegueira engendrada no ventre de um sistema político falacioso e apodrecido.

2.      Da Análise do Material

2.1.1.     Sons e letras

A palavra falada constitui-se de uma combinação de unidades mínimas de som (fonemas). Essas unidades sonoras são representadas graficamente na escrita através de letras. Porém é preciso estar atento para não confundir fonema com letra. Se fonema é som, sua representação gráfica é a letra.  Um é o elemento acústico, enquanto o outro é um sinal gráfico.
Às vezes não há correspondência entre letra e som. Uma mesma letra pode representar sons diferenciados ex: (máximo, exame, caixa), existem letras diferentes correspondendo ao mesmo som ex: (seco, cedo, laço, próximo), uma letra pode representar mais de um som ex: (fixo), em alguns casos há letra que não tem som algum (hora, humano) e certos sons ora são representados por uma só letra, ora por duas, por exemplo: xícara/chinelo, gato/guitarra, rabo/carro.
Tomando como modelo o material de pesquisa: PORTUGUÊS Linguagens (LITERATURA – PRODUÇÃO DE TEXTO – GRAMÁTICA), de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, o ensino da Fonética e da Fonologia, material este, aplicado aos alunos do 1º ano do Ensino Médio, do colégio Polivalente de Irecê, percebe-se que os conteúdos de Sons e Letras são apresentados através de pequenos textos e de charges, nas quais o autor expõe de forma cômica o sentido e conceito de cada partícula a ser estudada pelos alunos.
O intuito da pesquisa não é apresentar simplesmente os conceitos fonéticos, mas descobrir como esses conteúdos são postos em prática, para que possamos de alguma forma colher informações necessárias que acarretem um poder de mediação diante de novos projetos de ensino.
  

2.1.2.     Vogais e semivogais (em prol da Sociolinguística)

O estudo das vogais é uma das partes da gramática que, embora pareça simples requer uma observação minuciosa, uma vez que as diferenças fonética-fonológicas em alguns momentos beiram uma sutileza linguística que torna-se difícil identificar em certas palavras o que são vogais, semivogais e consoantes.
No material coletado da referida escola percebe-se que a diferença básica entre vogal e semivogal é explicitado de forma correspondente ao que é abordado no curso de Letras da UNEB. Com uma linguagem mais simples, a ideia de que a vogal é produzida sem obstrução da passagem do ar e que sem ela não existe sílaba é passada ao aluno sem muita complexidade. Entretanto, pode-se dizer que a definição apresentada não é aprofundada e nem é dado uma ênfase maior ao aparelho fonético-fonador para o entendimento mais abrangente da vocalidade e consequentemente da diferença entre fonética e fonologia.
O fato de termos cinco vogais e sete fonemas vocálicos é apresentado no livro didático em uma tabela. Uma explicação mais a fundo do que isso implica nas palavras, nas sílabas é o que deixa a desejar. Essa explanação mais pragmática é importante não só para os alunos percebam a diferença entre fonética e fonologia, que mesmo para alunos do curso de Letras muitas vezes é uma tarefa difícil, uma vez que para alguns esse não foi um componente estudado como deveria ser nos anos de escola. E mais que isso, como hoje é muito enfatizado as diferenças sociolinguísticas e sua aceitação dentro e fora do contexto escolar, os estudos fonético-fonológicos vem contribuir para o entendimento da formação dos sotaques. É por isso que em parte o material cumpre com o básico do assunto teórico concernente a vogais e semivogais, porém, se fosse explorado mais o significado disso na prática a probabilidade seria maior de o livro cumprir com sua função didática. Conceitos como vogal pretônica, vogal postônica, neutralização, harmonia vocálica e assimilação não são tratados no livro. Então mesmo que o livro apresente uma tabela com os fonemas vocálicos orais e as letras correspondentes, falta um destrinchamento dos processos fonológicos das vogais em seus diferentes fenômenos. O conhecimento de como se comportam as vogais pretônicas e postônicas junto às consoantes auxilia na percepção da variedade linguística, podemos inferir essa propriedade de Fiorin em Introdução à Linguística II Princípios de análise quando afirma que “Quase toda vogal tônica que precede consoante nasal se nasaliza. Assim palavras como cama, tema, time, dono e rumo apresentam a vogal da sílaba tônica nasalizada. Nas sílabas pré-tônicas há variação, pois algumas pessoas nasalizam a vogal da sílaba inicial de panela e outras não.” (pág. 49)
Esses conceitos precisam ser melhor analisados para que os alunos percebam que não é por acaso ou erro  que palavras como roupa falamos “ropa” e beijo pronunciamos “bejo” . Isso se deve ao processo de assimilação e para entendê-lo é imprescindível dominarmos os conceitos citados anteriormente. Outro exemplo é a redução de E e O átonos pretônicos, que se transformam em I e U quando antes da sílaba tônica. Palavras como avenida e domingo costumamos pronunciar “avinida” e “dumingo”, é o fenômeno da harmonização vocálica. Esses fenômenos são discorridos em A Língua de Eulália do Linguista Marcos Bagno e mostra a necessidade dos estudos da fonética e da fonologia para a compreensão da sociolinguística. Por tudo isso é que se torna indispensável exemplos concretos desses fenômenos linguísticos no livro didático para que o alunado correlacione teoria e prática e consequentemente tenha um conhecimento mais embasado.


2.1.3.     Sílabas

No tocante as sílabas, o material utilizado no colégio que foi alvo do nosso estudo, tem um conteúdo bastante singelo. Usando um fragmento de um texto como exemplo, seguido de uma devida explanação, tornar mais fácil o entendimento do que seria a divisão silábica e como a mesma se dá.
Fica claro que a silaba é uma divisão de uma palavra em partes menores de acordo com a fonação da mesma, ou melhor, a sílaba seria cada partição de uma palavra que denota uma diferenciação nos sons formados quando o ar passa pelo aparelho fonador. Quando falada em voz alta, as partes resultantes da divisão silábica mostram-nos uma característica em comum: são pronunciadas em uma só emissão de voz. Além disso, a base de toda sílaba é uma vogal. Como exemplo, podemos pegar a palavra relatório: particionando a mesma, temos re-la-tó-ri-o. Cada partição forma um som que, a princípio, não dá margem a um significado satisfatório, mas geram um som uniforme. No mais, na divisão gráfica da palavra relatório, demonstra a base vocálica que é afirmada acima como característica inerente de tal partição.
Temos também, em destaque, o conceito do que seria a sílaba: “É um fonema ou grupo de fonemas pronunciados numa só emissão de voz. A base da sílaba é a vogal; sem ela não há sílaba”. (CEREJA, pág. 181). Vemos ai uma conceituação de fácil entendimento, mas a falta de mais exemplos talvez traga algumas dúvidas em relação a tais características das sílabas.
Na parte dedicada as sílabas, há ainda a presença de um quadro que dá destaque a nomenclatura das divisões silábicas, enquadrando as palavras em grupos distintos, a partir da quantidade de sílabas formadas em tal partição. São eles os monossílabos, dissílabos, trissílabos e polissílabos. Como a etimologia de cada termo afirma, os monossílabos (mono = um) agrupariam as palavras formadas de uma única sílaba; os dissílabos (di = dois) formaria um grupo de palavras que possuem duas sílabas; os trissílabos (tri = três) indicando o grupo de palavras a qual pertencem as palavras que contem três sílabas; e os polissílabos englobam as palavras que possuem acima de três sílabas.


2.1.4.     Sílaba Tônica e Sílaba Átona

Além de receber uma nomenclatura pela quantidade de sílabas que uma determinada palavra pode ser particionada, tal palavra pode ser classificada a partir da entonação maior de uma das suas sílabas. Tão diferenciação sonora determina se tal sílaba é tônica ou átona.
O material analisado deixa tal diferenciação clara, afirmando que, em uma palavra, uma das sílabas será tônica – a que tiver maior destaque sonoro quando pronunciada, enquanto o restante das sílabas serão átonas – em comparação à sílaba tônica, tais sílabas terão menor ênfase sonora. Como exemplo, temos a palavra compostura. Segmentando-a, temos com-pos-tu-ra. Ao pronunciar cada sílaba, percebemos que a terceira sílaba (tu) tem maior destaque dentre as outras. Assim, a sílaba tônica é essa, sendo as outras átonas.
Essa diferenciação dá margem a mais uma classificação, a qual coloca as palavras e três grupos distintos: oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas. As palavras serão consideradas oxítonas quando a sílaba tônica for a última; serão consideradas paroxítonas quando a sílaba tônica for a penúltima; e proparoxítona somente quando a sílaba de maior intensidade sonora for a antepenúltima.

2.1.5.     Encontros Vocálicos

Tendo em vista que os encontros vocálicos são presentes no estudo da Língua Portuguesa, destaca-se no material pesquisado: PORTUGUÊS Linguagens (LITERATURA – PRODUÇÃO DE TEXTO – GRAMÁTICA), de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, especificamente o capítulo 19 (Sons e letras), o ensino da Fonética e da Fonologia, fazendo-se necessário para o conhecimento dos alunos do 1º ano do Ensino Médio, do colégio Polivalente de Irecê.
O material se divide em uma análise dos conceitos linguísticos fonéticos fonológicos dos encontros vocálicos, caracterizando sua definição, como uma união de fonemas vocálicos (vogais ou semivogais) em uma mesma sílaba ou em sílabas diferentes, destacando e classificando o emprego do hiato (encontro de duas vogais em sílabas separadas), exemplo da palavra duas = du as, o ditongo (encontro de uma vogal e uma semivogal na mesma sílaba), exemplo: canção = can cão e o tritongo (que é o encontro de uma semivogal + uma vogal + uma semivogal, sempre nessa ordem), exemplo: quaisquer = qu a i s quer.
As vogais são caracterizadas pela passagem relativamente mais livre do ar. Os sons vocálicos são sons produzidos por uma corrente de ar pulmonar egressiva que faz vibrar as cordas vocais normalmente, onde dependerão de três fatores: a altura do corpo da língua, posição anterior ou posterior da língua e o grau de arredondamento dos lábios.
Esse estudo se abrange da necessidade de que a linguística, com sua preocupação em descrever a Língua numa perspectiva teórica e científica, apresenta o estudo da fonética e da fonologia (sons), que emitidos pelo ser humano, leva-o à comunicação. Assim, é rico esse conhecimento, sua forma de pronunciar e entender as palavras, levando em consideração todo o processo fisiológico presente no desenvolver das palavras.


2.1.6.     Ortoépia e Prosódia

No tocante a ortopéia e prosódia, o material didático é bem breve, destacando o significado e cada termo, onde: “A ortoépia trata da pronúncia adequada dos fonemas e das palavras, de acordo com a variedade padrão da língua. A prosódia trata da acentuação e da entoação adequadas dos fonemas, de acordo com a variedade padrão da língua.” (p. 184).
Ao tratar desses termos, o docente ajuda o aluno a perceber a variações de significado que os fonemas podem inferir nas palavras, além de mostrar que isso pode variar em determinadas regiões – o sotaque - e que tal variação não é considerada como erro.


3.      Considerações

Na posição de licenciados e futuros docentes, vimos com essa análise, que um conteúdo de grande referência e presente no cotidiano dos alunos, é trabalhado em sala de aula sem muito suporte teórico, técnico e prático. Além disso, os alunos têm certa carência de compreensão, fazendo parte de um sistema educacional público, que passou, passa e ainda se tem expectativas de continuar a passar por uma defasagem.
No momento em que o aluno deveria permanecer em sala de aula, com toda satisfação e garantia de aprendizagem, permanece em casa, sem aula, com o Estado deixando somar mais de 80 dias de greve educacional, onde professores buscam e defendem melhores condições de salários e respeito, para com a profissão da qual escolheram como trabalho e sustento de vidas.
Diante deste quadro, fica evidente que esse cenário necessita de uma reestruturação, uma vez que os alunos provindos do ensino básico, quando chegam à graduação, têm dificuldades que deveriam ter sido sanadas no ensino básico. Mas por conta da falta de uma melhor estruturação, esses alunos saem sem o conhecimento necessário, obrigando os docentes universitários a rever tais assuntos para fazer um paralelo à sua disciplina, uma vez que tal embasamento é necessário para o bom andamento da mesma.


4.      Referências

CEREJA, William Roberto. Sons e Letras. In: Português: linguagens: volume 1: ensino médio / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 5 ed. – São Paulo: Atual, 2005. Cáp. 19

FIORIN, José Luiz (Org.). INTRODUÇÃO À LINGÜÍSTICA II: Princípios de Análise. 4ª ed. Manual de Linguística. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2008.

FICHAMENTO DE TRANSCRIÇÃO: CAMPOS, Haroldo de. O sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso de Gregório de Matos / Haroldo de Campos. – Salvador. FOJA, 1989.


FICHAMENTO DE TRANSCRIÇÃO

Referência bibliográfica:

CAMPOS, Haroldo de. O sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso de Gregório de Matos / Haroldo de Campos. – Salvador. FOJA, 1989.


Ludemberg Pereira Dantas


  • Se há um problema instante e insistente na historiografia literária brasileira, este problema é a “questão da origem”. (p. 7);

  • “Teria realmente existido no século XVII um grande poeta brasileiro chamado Gregório de Mattos”? (p. 8);

  • “Gregório de Mattos foi sem dúvida uma das maiores figuras de nossa literatura”. (p. 9);

  • Um dos maiores poetas brasileiros anteriores à Modernidade, aquele cuja existência é justamente mais fundamental para que possamos coexistir com ela e nos sentirmos legatários de uma tradição viva, parecendo não ter existido literariamente “em perspectiva histórica”. (p.10);

  • O MITO É O NADA QUEÉ TUDO, completa Fernando Pessoa no mesmo poema. (p.10);

  • “A nossa literatura é galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no Jardim das Musas”... (p.13);

  • A leitura “com discernimento”, desde que amorosa, “anima” as obras. (p. 14);

  • “Ninguém, além de nós, poderá dar vida a essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes fortes, sempre tocantes, em que os homens do passado, no fundo de uma terra inculta, em meio a uma aclimação penosa da cultura europeia, procuravam estilizar para nós, seus descendentes, os sentimentos que experimentavam as observações que faziam, - dos quais se formaram os nossos”. (p. 14);
  • O conceito metafísico de história, segunda Derrida, envolve a ideia de linerariedade e a de continuidade: é um esquema linear de desenrolamento da presença, obediente ao modelo “épico”. (p. 15);
  • A “perspectiva histórica” é, pois, uma perspectiva ideológica. E como tal se manifesta, quando o critério de pertinência que a rege é explicitado. (p. 16);
  • A arte é definida como “comunicação expressiva, expressão de realidade profundamente radicadas no artista, mais que transmissão de noções e conceitos”. (p. 22);
  • A essa orientação voltada para o DESTINATÁRIO, Jakobson denomina FUNÇÃO CONATIVA (do latim, conatum: impulso, esforço, ação que procura impor-se a uma resistência ou suscitar uma reação). (p. 25);
  • A literatura que privilegia a função EMOTIVA é, na lição de Jakobson, a literatura romântica, expressão do eu- lírico. (p. 28);
  • Por essa óptica dirigida é enfocada na Formação o que seja “literatura” enquanto “sistema simbólico”; todavia, ao conceito assim resultante, se confere caráter definitório geral. Ou seja, no conceito definidor, as características distintivas do que seja “literatura” são tomadas de empréstimo à visão especifica e particularizante que, do fenômeno literário, se faz o próprio Romantismo. (p. 30);
  • “Perspectiva histórica”, “ponto de vista histórico” (I,24), “orientação histórica” (I,25) são expressões que não podem ser aceitas como verdade objetivas, dotadas de unicidade de sentido, apopíticas. (p. 31);
  • A linguagem barroca se compraz no suplemento, na demasia e na perda parcial de seu objeto. (p. 33);
  • Todo escritor depende do meio, das concepções e da ideologia de seu público. (p. 39);
  • “estetizar para nós (...) os sentimentos” e “as observações”, I,10): “o seu sonho, a sua dor, o seu júbilo, a sua modesta visão das coisas e do semelhante”. (p. 45);
  • A coragem ou espontaneidade do gratuito é prova de amadurecimento, no indivíduo e na civilização; aos povos jovens e aos moços, parece traição e fraqueza. (p. 48);
  • “Os artistas incompreendidos, ou desconhecidos em seu tempo, passam realmente a viver quando a posteridade defina afinal o seu valor”. (p. 50);
  • Tanto mais que o Barroco – e não apenas entre nós – foi, a seu modo, uma arte da comunicação lúdica, do comprometimento persuasivo, como também da efetividade erótica e da desafeição satírica, ambas formas de afetar um público de destinatários bastante corpóreos; não por nada Gregório despertou ódios e foi “despachado” para Angola. (p. 50);
  • “É que no Brasil, embora exista tradicionalmente uma literatura acessível, na grande maioria, verifica-se a ausência de comunicação entre o escritor e a massa” (...). (p. 51);
  • Pergunta-se então: guardadas as proporções, o que terá mudado essencialmente em nosso “sistema literário”, desde as “ralas e esparsas manifestações sem ressonância” de nossa pré-literatura assistemática? (p. 51);
  • “A poesia se converte em prosa”. (p. 52);
  • “Gôngora acabou sendo, por suas poesias de mau gosto, o corifeu do culteranismo, defeituoso amaneiramento literário, chamado assim por si dirigirem essas poesias e leitores cultos e não ao vulgo (...)”. (p. 53);
  • Há, portanto, falta de simplicidade, propriedade e clareza na expressão; reunia, assim, o culteranismo os inconvenientes de duas decadências literárias: a decadência alexandrina e a decadência trovadoresca. (p. 54);
  • Durante três séculos, Donne foi caluniado e desprezado pelos acadêmicos e professores, ao ponto de desaparecer o seu nome dos manuais de história literária. (p. 54);
  • (...) Sua poesia-satírica, mas também religiosa e lírica-é das que tem maior frescor no Peru colonial. (p. 55);
  • A importância das obras de Mattos transcende a sua óbvia significação como reflexos acurados sobre a vida brasileira do século XVII. (p. 56);
  • Mattos deve ser considerado como um dos três preeminentes poetas do Novo Mundo nesse período. (p. 56);
  • Todos esses poetas-Gregório, Caviedes, Camargo-teriam inexistido em “perspectiva histórica”. (p. 58);
  • De previdência se trata: Fortleben, como diz Walter Bejamin quando fala da sobrevivência das obras literárias para além da época que as viu nascer. (p. 59);
  • “Quando nos colocamos ante o texto, sentimos, em boa parte, como os antecessores imediatos, que nos formaram, e os contemporâneos, a que nos liga a comunidade de cultura; acabamos chegando a conclusão parecidas, ressalvada a personalidade por um pequeno timbre na maneira de apresentá-las”. (p. 60);
  • Lê-se em Aurora: “Por trás dos sentimentos há juízos e estimativas de valor que nos foram legados na forma de sentimentos (propensões, aversões)”. (p. 61);
  • Confiar em seu sentimento, - isto significa obedecer mais ao seu avô, e aos avós deles, do que aos deuses que estão em nós: nossa razão e nossa experiência. (p. 61);
  • De fato, se pensarmos, com Walter Benjamin, que “a história é objeto de uma construção, cujo lugar não é o tempo homogênio e vazio, mas antes um tempo carregado de agoridade”. (p. 62);
  • Nossa literatura, articulando-se com Barroco, não teve infância (in-fans, o que não fala). Não teve origem “simples”. Nunca foi in-forme. Já “nasceu” adulta, formada, no plano dos valores estéticos, falando o código mais cobrado na época. (p. 64);
  • Assim também a maturidade formal (e crítica) da contribuição gregoriana para a nossa literatura não fica na dependência do ciclo sazonal cronologicamente e proposto pela Formação. (p. 64);
  • Nossa “origem” literária, portanto não foi pontual, nem “simples” (numa acepção organicista, genético-embrionária.). (p. 64);
  • Assim como os cânones não são “eternos” e o belo é historicamente  relativo, também não há falar em influência demão única, que não seja reprocessada e rediferenciada no novo ambiente que a recebeu (como aponta Mukarovsky a propósito da questão da literatura dos “povos pequenos” . (p. 65);
  • “É com Gregório, que sua poesia da “função lúdico-poética”, com sua poética da “salvação através da linguagem” (Wisnik), que sincronizam” e “dialogam” o João Cabral, engenheiro de poemas combinatórios, ou a vanguarda que, já em 1955 propugnava por uma “obra de arte aberta” e por um “neobarroco”. (p. 66);
  • “Gregório é o nosso primeiro poeta ‘popular’, com audiência certa não só entre intelectuais como em todas as camadas sociais, e consciente aproveitador de temas e de ritmos da poesia e da música populares; o nosso primeiro poeta ‘participante’, no sentido do contemporâneo; poeta de admiráveis recrusos técnicos; e um barroco típico: assimilador e continuador da experiência neoclássica da Renascença, sensualista visual, ‘fusionista’ (harmonizador de comentários), ‘feista’ (utilizando temas convencionalmente ‘feios’), amante dos pormenores, culteranista, conceitualista, etc”. (p. 67);
  • Presente, como inscrição em linha d’água, Gregório sempre esteve, no miolo do próprio código barroquista de que ele foi operador excepcional entre nós. (p. 68);
  • A grande concórdia da “literatura integrada” só se deixa estabelecer – e recapitular como tal – pondo à margem, “dês-agregando” o Guesa sousandradino (como antes, para simplificar a “questão da origem”, Gregório e o Barroco haviam segregados no limbo...). (p. 71);
  • Gregório de Matos, “o primeiro antropófago experimental da nossa poesia”, como o via Augusto de Campos, contibuiu pioneiramente para que possamos pensar esse paradigma aberto, não-dogmático, não-verocêntrico. E é por isso também que o reivindicamos, no tricentéssimo quinquagésimo aniversário de sue nascimento na “cidade da Bahia”. (p. 76);
  • O romantismo continua a ser enfatizado por seu “maior poder de comunicação imediata”. (p. 77).

RESENHA: MAGALDI, Sábato. Iniciação ao Teatro. In: Qualificativos em voga e Destino do teatro. Editora Ática. São Paulo, 2002.


RESENHA

MAGALDI, Sábato. Iniciação ao Teatro. In: Qualificativos em voga e Destino do teatro. Editora Ática. São Paulo, 2002.

Ludemberg Pereira Dantas

O livro Iniciação ao Teatro de Sábato Magaldi, especificamente o capítulo 11: “Qualificativos em voga” apresenta o conceito de teatro, trazendo a relação do mesmo como pertencente ao meio social e popular. O autor segue suas afirmações com a intenção de apresentar o teatro como algo presente na vida e no cotidiano do homem contemporâneo, fazendo-se presente também no futuro, com a intenção de mostrar que a arte cênica sempre estará viva.
Com o desenvolver de sua escrita, Magaldi traz características do teatro com o objetivo de mostrar para o leitor que a dramaturgia é uma arte que tem um papel de extrema necessidade para a vida do ser humano, sendo assim, o homem passa direta ou indiretamente a fazer parte, passa participando como ator, ou mesmo na posição de espectador. O autor traz várias expressões de teatros, a fim de demonstrar diversas definições na hora da representação dramática, destacando:
O boulevard: o teatro onde a comédia é apresentada de forma rápida, sem muitos cunhos intelectuais, com a intenção mesmo de divertir o público.
A vanguarda: “com suas situações e linguagens de clichês”. (p, 101), apresentando a subjetividade e liberdade dos valores burgueses.
 Teatro político: com uma ideologia marxista, buscando aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, a fim de criar-se um objetivo revolucionário, com luta de classes, fazendo referência a Erwin Piscator, Teatro político: “o valor pessoal de um ator é um valor independente da função em si, um elemento estético próprio (p. 80)” (p. 103).
Teatro épico: sendo uma representação mais natural, diferente da tragédia, onde faz do espectador um observador crítico, despertando-o sua atividade, obrigando-o a decisões e opondo-se nela.
Teatro social: parte integrante da dramaturgia com garras da sociedade, trazendo como exemplo os clássicos da literatura, instigando que o teatro em si tem a função social, onde todo um povo vive o teatro como uma arte.
Teatro popular: a forma prática de exprimir uma arte social, rompendo as barreiras de classes, com a participação ativa de todos os povos, estudantes, funcionários, operários, telegrafistas, donas de casas, a fim de levarem a representação cênica para toda uma massa, com a presença do ator, texto e público.
Teatro pobre: uma única resposta condiz com a essencial ao teatro: “a presença física do ator diante do espectador. Há teatro sem cenários, sem figurinos, sem música, sem maquilagem e até mesmo sem texto. Só não há teatro sem ator e ao menos um espectador”. (p. 108).
Criação coletiva: “Quando se organiza um elenco, é melhor que seus integrantes tenham formação em comum, sintam afinidades profundas em relação aos problemas de qualquer natureza e desejam exprimir visão própria da arte e da vida”. (p. 109).
O happening: “Toda a arte é mágica, ou, então, na é arte”. (p. 111).
Teatro do oprimido: surge com a ideia de que o espectador se transforma em protagonista, o objeto em sujeito, o morto em vivo, e assim por diante, criando uma representação de que o oprimido no caso seria as classes nos seus interiores.
No capítulo 12: “Destino do teatro”, Sábato traz o teatro como uma arte e sua representação universal, ao mesmo tempo com uma profunda existência de significados, aonde os participantes “vêm sofrer” consequências de uma escassa para a sociedade capitalista. Isso porque o teatro em meio a todo um processo político e histórico sofre certo preconceito. Segundo Peter Brook: “o teatro não é mais uma arte; ou é uma arte inútil”. (p.114). Nessa concepção, por mais que o teatro chegue a sofrer suas recaídas, desilusões financeiras, pressupõe que, quem vive do teatro o vive pela emoção, satisfação pela arte, na vida e no palco.
O cinema e a televisão são apresentados no livro na perspectiva de mostrar que o teatro “foi” substituído por espetáculos de nosso tempo, nas telas do cinema e da televisão, repercutindo com apresentações em vasto poder de divulgação, intelectualidade e modernização. Enquanto isso, o teatro de palco continua existindo como um conceito artesanal, e ambos (cinema e TV), são frutos de uma industrialização, onde o meio é o produto e as massas os produtores. “Cada espetáculo teatral é único, não se repetindo nunca o desempenho dos intérpretes e a emoção do público. Um simples espectador inquieto altera o clima da sala, e a atuação naquela noite se ressente com a presença estranha”. (p.116).
O palco é relatado como o local onde o ator vive sua comunicação direta com o público, com grande papel social: “Como o ator está no palco e a palavra é dom admirável do homem, a literatura pertence intrinsecamente à arte dramática. A cultura reclama a existência do teatro. E, queiram ou não os donos do poder, como as conquistas culturais atingirão paulatinamente as massas, a arte dramática não deixará de prosperar. Um mundo entregue aos lazeres culturais caminha para tonar-se amante do palco.” (p. 118).
Assim, é visto em todo o percurso do desenvolvimento da história do teatro e nas afirmativas do autor, que a luta incessante de viver da arte, especificamente do teatro de palco, sempre foi, o é e ainda será “uma tarefa árdua”, no sentido de que muitos dos artistas desanimam, com exemplos de grandes talentos que levados pelo cansaço, acabam trilhando para outras atividades, na intenção da rentabilidade financeira. Ainda assim, existem homens e mulheres (artistas), que continuam fiéis, vivendo do teatro, da satisfação em fazer de sua vida, uma arte, permanecendo focados, mesmo que as circunstâncias exteriores (o lado financeiro) não sejam favoráveis, ou talvez sim, mas com a certeza de que vale a pena viver em favor de um mundo melhor, do palco, do público, do teatro e duas artes.
Portanto, a presente obra é indicada a todos os estudantes do curso de Letras, Comunicação, Artes Cênicas e demais cursos da área das ciências humanas, como também a alunos, professores, pesquisadores, quem têm na leitura a satisfação em beber de significações, que valorizam a arte no geral, como também entre todos que têm pelo teatro a paixão, o prazer e amor que se deve ter pela vida.