sexta-feira, 11 de março de 2011

O Cânone Ocidental de Harold Bloom

O Cânone Ocidental de Harold Bloom


Ludemberg Pereira Dantas

O Cânone Ocidental, apresentado por Haroldo Bloom e também reconhecido universalmente por outros críticos literários, apresenta uma ideologia da inquietação da Teoria Literária, uma vez que a literatura é referência no parâmetro intelectual da sociedade e do indivíduo. Ler os melhores livros, desvendar nas palavras o valor da arte, torna-se a necessidade que leva o homem a acreditar que é possível ver a literatura como fonte de percepção do mundo. A leitura envolve práticas sociais. Nesse momento, a alteridade torna-se fluente no comportamento humano, uma vez que, a identidade do outro, "serve" de espelho para as mudanças, os costumes, os valores da sociedade. Considerar o Cânone Ocidental é ter a oportunidade de "ir além" do seu conhecimento. Ir à busca da teoria, formar uma crítica, perceber o que foi literário e o que não foi.

Bloom, na sua visão "intelectualizada", afirma que “estudar o Cânone Ocidental é uma atividade de elite". Com base nas suas afirmações, é possível compreender que não existe seleção, ou não deve existir, para que se diga que a busca pela formação intelectual seja de uma minoria, uma vez que tudo que se tem como obra literária ou informação grafada deve ser acessível a todos. O Ensino de Teoria da Literatura "está voltado para a formação em capacidade de análise de textos", formando assim uma autonomia estética.

É notável que toda a literatura tenha influências que a modifica. Ensinar a ler com rigor, investigação dos diversos elementos, o processo criativo, o estilo e a recepção são fundamentos que levam a literatura para não ter uma função determinada, aonde o inútil vem como característica de sua finalidade. O valor presente na obra literária faz com que o leitor torne-se um fluente da leitura, com consequências de uma boa argumentação e conhecimento seguro. É nesse momento que a presença da intertextualidade fixa e garante sempre um novo aprendizado.

"Um autor é bom sem saber o porquê". A necessidade da reescrita transforma o Cânone como suposto fluente das palavras, tendo no estranhamento, a forma de dar continuidade ao que leu e escreveu, na garantia de formar sempre inquietações. O estudante tem com a literatura a oportunidade de ir além. Textos de vários níveis de qualidade, diversas formas e diferentes temas, são etapas fundamentais na construção da formação intelectualizada e também na imagem canônica.

"Poemas, contos, romances e peças nascem como uma resposta a poemas, contos, romances anteriores.” Essa resposta depende de atos de leitura e interpretação, mostrando o "poder" que tem a palavra e o "propósito e resultados" diante às obras literárias existentes.

Literatura não é simplesmente linguagem, mas é dar continuidade a leitura e a escrita; escrever grandiosamente. Discutir e entender o Cânone Ocidental não se faz tão necessário do que compreender o significado da mensagem presente em suas produções literárias. É correto à valorização e reconhecimento, como propõe Bloom, mas é viável uma busca do que a literatura representa e seu grau de transformação.

Um comentário:

Milton Cardoso disse...

Oi, colega,

um bom começo esboçou nessa sua análise sobre as idéias de Harold Bloom. O seu texto está bom, mais direto, objetivo, limpinho. É isso. Vamos dominar a escrita crítica.

Abraço,

Milton de Oliveira Cardoso Junior,

2011, março, 11

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