quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como Estrelas na Terra, toda Criança é Especial

RESENHA DO FILME:
Ludemberg Pereira Dantas
O filme Como Estrelas na Terra toda Criança é Especial, é uma produção de cunho educacional, que garante ao público telespectador a se envolver na história do garoto Ishaan Awasthi, que traz consigo desafios para poder seguir a vida. Uma história marcante, que mostra o dia-a-dia de uma pequena criança de 8 anos de idade, que apresenta a dislexia, (doença que leva o homem a ter dificuldade em ler e escrever as palavras), deparando-se com dificuldades que chegam a interferir no seu comportamento.

O pequeno Ishaan Awasthi sofre toda uma falta de atenção, principalmente por parte de seu pai, que não busca entender o motivo da dificuldade do filho, chegando a tratá-lo indiferente, questionando ser uma criança desatenciosa nos estudos, que já repetiu a 3ª série, acreditando ser o motivo falta de desinteresse, correndo o risco de repetir novamente, sendo assim um fracasso para ele, quando tem em casa seu outro filho, que é considerado um dos primeiros alunos da turma, com notas excepcionais em todas as matérias. Ishaan é rejeitado também na rua, na escola e por seus vizinhos.

Uma criança com uma grande capacidade de raciocínio, tendo na arte seu refúgio. Criador de belas pinturas e dono de uma imaginação ao extremo. Não sabendo o motivo de sua necessidade, passa a ver as palavras com um olhar diferente, no mundo da imaginação. Sofre toda uma tortura desde o momento que acorda, tendo que ir para a escola, perdendo o horário do ônibus com freqüência e sempre sendo chamado à atenção. Uma rotina diária de uma família que não tem o tempo necessário para oferecer a atenção que um dos filhos necessita. O pai, sempre preocupado com seu trabalho, a mãe, envolvida nos afazeres domésticos, sendo a pessoa que mais da atenção ao filho, e o irmão mais velho, a que apesar de não entender a dificuldade do caçula, o apóia e o motiva, chamando-o sempre de campeão.

Uma educação modelo tradicional é marcada, quando a escola passa a seguir as doutrinas impostas buscando obedecer a seu método pedagógico, fazendo com que as crianças permanecem dependentes das regras que acreditam ser o caminho de uma boa educação. Exemplos, como no momento que é preciso conferir os uniformes de cada aluno, não permitindo que a criança usufrua do espaço educacional por apresentar os sapatos sujos; e também, quando em sala de aula a professora manda localizar a página, capítulo e parágrafo do assunto a ser estudado, Ishaan é motivo de risos, por não conseguir chegar ao pedido da professora. A dificuldade é somada quando lhe é mandado fazer a leitura da página, ele não consegue, sendo localizada com a ajuda do colega, e também para destacar os adjetivos, o pequeno não os identificam, afirmado que "as letras estão dançando", momento que busca ser sincero e acaba sendo motivo mais uma vez de risos e a própria professora não lhe entende e nem busca entendê-lo, expulsando-o da sala, chamando-o de "sem-vergonha".

As fantasias, a vontade de viver um mundo novo, de imaginação, de criatividade, de arte, fazem de Ishaan uma criança especial. Viver um espaço à força, sem poder sentir-se ativo, igual, desperta no homem uma melancolia. É como acontece com o pequeno, que acaba sendo obrigado a estar na escola sofrendo diversas contrariedades. Evitando os constrangimentos de sua diferença, o menino chega a fugir de sua realidade, quando pede ao irmão para lhe escrever um atestado, evitando assim ausentar-se da avaliação de Matemática, até que consegue. Faltando a aula, vai para as ruas, onde vivem os encantos da liberdade, do prazer em sentir digno e capaz de entender o seu momento quando vai ao aquário da cidade, sendo um de seus prazeres.

Não compreender o motivo de um problema, não buscar identificar a causa de tais conseqüências, transforma o homem em um ser ignorante. O pai de Ishaan o manda direto para um colégio interno. Por conseqüência, apesar de todo um desafio tanto para a família como para a criança, de terem que conviver com a distância, acaba sendo o caminho ao qual a felicidade vem a reinar entre todos. Obedecer a novas regras, seguir novas doutrinas, conhecer pessoas novas, fazem com que uma mudança transformadora nasça na vida do menino que não entende o porquê de todo esse acontecimento, considerando-se inferior aos seus colegas. Uma criança que busca apenas ser normal e acaba considerado anormal. Uma mente que além de pensar consciente, age fantasticamente, no seu silêncio, sofrendo maus tratos de não poder mostrar-se igual a todos.

Toda uma rotina de rejeição, de exclusão, já vividos desde cedo na escola e em casa, fazem com que Ishaan sofra mais ainda quando já se faz presente em outro ambiente escolar. Passa a viver constrangido, quieto, indiferente, só. Dedica-se a pintura, momento ao qual nunca o desprezou. A nova sala de aula leva o menino a continuar acreditando em uma vida de rejeição e insegurança. As palavras continuam a dançar em sua frente. A leitura e a escrita permanecem sendo seu desafio, pois a dislexia é freqüente no cotidiano.

A aula de artes, a que mais o encanta é o motivo ao qual se sente mais real em todos os seus momentos. O modelo tradicional de ensino da época acaba que não descobrindo o talento das crianças, a exemplo, quando é pedido para Ishaan explicar a mensagem de um poema com leitura feita em sala de aula e o garoto explica o real sentido da mensagem, sendo desconsiderado pelo professor e mais uma vez motivo de risos entre os colegas, sendo reconhecido por seu amigo que ele sim fez a explicação correta e não foi aceito pelo fato do professor educar os demais com seu método de repetir tudo que ele diz. Outra parte é quando na aula de artes o professor exige que Ishaan localize um ponto minúsculo feito no quadro e ele o passa por despercebido, chegando a levar cinco palmatórias.

Mais uma vez, tudo se repete. Ishaan não consegue ser a criança que todos querem. Mesmo no colégio interno, suas ações permanecem iguais. Com isso, a rejeição, o desprezo, o desencanto e mais risos. Uma nova fase nasce em sua vida, quando recebe como presente um novo professor de Artes, que vem ao encontro da turma com uma postura alegre, brincalhão, amigo, diferente das doutrinas da escola. O professor Ram Shankar Nikumbh chega, surpreendendo e alegrando as crianças, mas Ishaan permanece igual, uma vez que seu consciente já sofre o preconceito por ser diferente, prejudicando-lhe e fazendo de si uma criança desequilibrada, incapaz e infeliz.

O professor Ram passa a ter uma atenção especial por Ishaan, quando percebe que algo o perturba e demonstra uma criança assustada, e por depoimento de seu melhor amigo, afirma que Ishaan, por mais que tente não consegue ler e escrever, sempre recebendo punições, e seus livros sempre marcados com correções em vermelho. Nesse momento, o novo professor de Artes busca entendê-lo, é quando percebe as dificuldades do menino e descobre, através de visita a sua família, que o mesmo é portador de dislexia, e ao mesmo tempo um talento novo, um grande artista, que trás nas suas artes todo o universo o qual vive em silêncio. Sabendo do motivo de seu comportamento, pela dislexia, Ram leva para sala de aula toda uma explicação e exemplos do problema, o qual os grandes homens do mundo já enfrentaram, a exemplos de Albert Einstein e Leonardo da Vinci. Assim, Ram admite para Ishaan também ter enfrentado a dislexia e promete ajudá-lo. Uma nova fase nasce na vida do pequeno, a alegria reina e sua vida passa a ter mais sentido.

A cada instante Ishaan surpreende seu novo professor de Artes, o qual não o abandona e passa a ter um carinho especial. Busca todas as maneiras possíveis do reconhecimento do garoto em se sentir e mostrar-se uma criança normal. Pede ajuda a direção do colégio em oferecer novas oportunidades ao menino, assumindo que seu problema é a dislexia e firmando ser um aluno brilhante.

Aluno e professor, uma relação mais que sincera de fraternidade, de carinho e atenção, na busca da educação como forma de valorização à vida. Com todo esse sentimento de fraternidade Ram Shankar Nikumbh, sabedor da capacidade de Ishaan pela arte, decide realizar um concurso de pintura entre todas as pessoas do colégio. Despertando atenção entre os participantes em um momento de grande movimentação e sucesso, surge como resultado o brilho de um artista mirim, Ishaan Awasthi, que mostra atravéz de sua pintura o resultado de um talento, que vivendo uma vida de exclusção por conta de sua necessidade com a dislexia, passava a ocultar uma vida sadia, de valores, capazes de encantar e alegrar a todos através de uma inteligência, que mostra na arte o seu valor.

O comportamento do pequeno Ishaan está presente nos estudos do Behaviorismo, sendo John B. Watson o americano que inaugura o termo, onde behavior significa comportamento. Uma teoria comportamental que visa estudar o comportamento humano, mostrando que as pessoas que sofrem com uma problemática assim, chegam a se depararem com problemas psicológicos.

“O homem começa a ser estudado como produto de aprendizagem pelo qual passa desde a infância, ou seja, como produto das associações estabelecidas durante sua vida entre estímulos e respostas”. O problema presente no filme como o menino Ishaan, mostra que todo individuou com comportamentos estranhos merecem uma atenção especial. Assim, como toda ciência, o Behaviorismo vem a compreender, através da filosofia, da psicologia, o comportamento presente no indivíduo buscando respostas e soluções para tais fins.

O estímulo que o menino recebe é pouco, considerando que suas conseqüências são frutos de sua atenção. O reforço pode ser positivo ou negativo. No caso de Ishaan, predomina a vontade de Ram, seu professor de Artes que busca erguê-lo e lhe reconhecer como um sujeito normal. “A análise experimental do comportamento humano pode auxiliar-nos a descrever nossos comportamentos em qualquer situação, ajudando-nos a modificá-los”. “Todos nós controlamos, e somos controlados. À medida que o comportamento for mais profundamente analisado, o controle virá a ser mais eficaz. Mais cedo ou mais tarde o problema deverá ser encarado”.

O ensino aprendizagem em todo momento é resultado das atitudes e trabalho desenvolvido pelo professor, que usa a educação como meio de transformação. Uma vez um modelo de ensino tradicional, com normas, regras, buscando a disciplina, nem sempre se chega a um resultado positivo. O aluno, ao invés de se envolver, chega a se torturar e se amedrontar. Como acontece no filme em destaque, onde todos os alunos são presos às doutrinas das propostas pedagógicas. “O professor fala e o aluno escuta. O professor dita e o aluno copia. O professor decide o que fazer e o aluno executa. O professor ensina e o aluno aprende.”

A análise do filme Como Estrelas na Terra toda Criança é Especial, forma o conceito de que a educação é para todos, independentemente de sua diferença psicológica ou social. Uma criança sempre tem um mundo a construir, capaz de surpreender e transformar a humanidade com sua inteligência. Sendo mestre na vida de todo aluno, o professor deve construir uma visão de mundo para esses pequenos, na possibilidade de fazer com que todos se sintam livres e capazes de conquistar um espaço seu, formando um cidadão do bem, da verdade, de valores e de fragilidades, na construção de um presente e de um futuro com garantia e valorização de sua existência.


Referências Bibliográficas:

Filme: Como Estrelas na Terra, toda criança é especial. Direção: Aamir Khan, Amole Gupte. Produtor: Aamir Khan.

O Behaviorismo. Transição do capítulo 3 do livro de BOCK, Ana; FURTADO, Odair e Teixeira, Maria. Psicologias. Uma introdução ao estudo da Psicologia. São Pualo: Saraiva, 1992. Pág. 38-47;

BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Monteiro Lobato e Pedrinho: Uma literatura infantil

Monteiro Lobato e Pedrinho: Uma literatura infantil



 Ludemberg Pereira Dantas

Entre os séculos XIX e XX, a Literatura Infantil surge patrocinada por autores que escreveram livros para crianças. Antes da ascensão da burguesia não havia livros de literatura específicos para os pequenos e, se eles quisessem ler, deveriam fazê-lo utilizando-se de textos adultos. Publicada entre os anos 20 e 40, as editoras começam a prestigiar o gênero. A fantasia e a criatividade foram diretamente disciplinadas, bem como a valorização da nova e atuante geração modernista, com uma forma de expressão verdadeiramente representativa do povo brasileiro, a exemplo do maior representante: José Bento Renato Monteiro Lobato.

Sabendo aproveitar o momento contemporâneo, Monteiro Lobato passa a criar personagens de diversos apelos e representação social. Seus contos de fadas apresentam cenários para se envolver em temas como a Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento industrial, a emancipação econômica; vivenciando um universo imaginário.

Entre as obras de Lobato, a que surge em especial nos primeiros livros, trata-se do Sítio do Pica Pau Amarelo, uma propriedade até certo ponto característica da economia agrícola brasileira. Com características apresentadas às das fazendas cafeeiras paulista, o Sítio nasce como uma metáfora ao Brasil, passando a representar cada vez mais o país como ele desejava que o fosse: o país do petróleo, da autonomia econômica.

“O Sítio de Dona Benta ficava num lugar muito bonito. A casa das antigas, de cômodos espaçosos e frescos. Havia o quarto de Dona Benta, o maior de todos, e junto o de Narizinho, que morava com sua avó. Havia ainda o “quarto de Pedrinho”, que lá passava as férias todos os anos; e o da tia Nastácia, a cozinheira e o faz-tudo da casa. Emília e o Visconde não tinham quartos; moravam num cantinho do escritório, onde ficavam as três estantes de livros e a mesa de estudo da menina”. (LOBATO, Monteiro. O sítio de Dona Benta).

Com a Revolução Industrial, as crianças burguesas passam a representar papel importante na sociedade, já que precisam ser preparadas e capacitadas para o futuro, através da educação, a fim de enfrentar um mercado competitivo em rápida expansão. Os jovens devem ser preparados para serem vencedores em um mundo em constante disputa. Dessa forma nasce a literatura para crianças como um auxiliar das escolas na formação do pequeno cidadão em seu aprendizado dos valores capitalistas, ou seja, a literatura como um agente doutrinário. Esse desenvolvimento da literatura infantil serve de apoio para a formação de uma identidade nacional.

Com obras educativas e divertidas, Monteiro Lobato produziu metade de sua produção literária com livros infantis. Leu tudo que havia para crianças em Língua Portuguesa. Foi estudante do curso de Letras, além de perceber na infância, talento pela arte de desenhar. Tornou-se bacharelado em Direito. Dizia sempre o que pensava, agradasse ou não. Defendia a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e todos, quaisquer que fossem as conseqüências. Era a favor de uma arte devidamente brasileira. Passou a tratar os livros como produtos de consumo, com capas coloridas e atraentes, e uma produção gráfica impecável. Sua vida e sua obra ainda hoje servem de inspiração e exemplo para milhares de crianças, jovens e adultos do Brasil.

“Pedrinho não podia compreender férias passadas em outro lugar que não fosse o Sítio do Pica Pau Amarelo, em companhia de Narizinho, do Marquês de Rabicó, do Visconde de Sabugosa e da Emília. E tinha de ser assim mesmo, porque Dona Benta era a melhor das vovós; Narizinho, a mais galante das primas; Emília, a mais maluquinha de todas as bonecas; o Marquês de Rabicó, o mais rabicó de todos os marqueses, e o Visconde de Sabugosa, o mais “cômodo” de todos os viscondes. E havia ainda tia Nastácia, a melhor quituteira deste e de todos os mundos que existem. Quem comia uma vez os seus bolinhos de polvilho, não podia nem sequer sentir o cheiro de bolos feitos por outras cozinheiras”. (LOBATO, Monteiro. Em férias).

Em consideração a obra, Caçadas de Pedrinho, percebe-se a magnitude de um pequeno garoto, capaz de levar suas idéias e ações usando da mais suprema esperteza, atenção e inteligência. Sempre atencioso para as estranhezas presente no Sítio, Pedrinho representa o menino que nada tem a temer a não ser sua “ousadia” em descobrir e mostrar-se capaz de encarar todas as aventuras.

Uma onça do Capoeirão dos Taquarussus faz-se presente no Sítio do Pica Pau Amarelo. Sabendo da notícia daquele novo habitante, o garoto busca não revelar para Tia Nastácia e Dona Benta, afirmando para a turma querer ir à caça do animal. Essa característica, muito presente no personagem, é freqüência dos ideais de Monteiro Lobato, em construir uma figura masculina capaz de mostrar-se detentora de uma autonomia, de um poder, de liderança, capaz de responder e ser presente nas decisões de um grupo.

Vencendo-os a caça à onça: Emília, Narizinho, Cléu (a famosa que falava pelo rádio e de vez em quando escrevia cartas a Narizinho, que estava de visita ao Sítio), e Pedrinho, revelando-se entre todos: o maior responsável para tal fim, quando usa de sua espingarda, com pose nas escondidas da vovó. É quando, passa então a ser desafiador, querendo algo mais aventureiro e difícil. É nesse momento, que o “grande menino pequeno” busca viver mais e mais planos.

“Desde essa aventura ficou Pedrinho com mania de caçadas, mas caçadas de feras africanas. Queria leões tigres, rinocerontes, elefantes, panteras, e queixava se a Dona Benta (como se a boa senhora tivesse culpa) da pobreza do Brasil a respeito de feras. Chegou a propor-lhe que vendesse o sítio para comprar outro bem no centro de Uganda, que é a região da África mais rica em leões.” (LOBATO, Monteiro. Caçadas de Pedrinho. 1933).

A caça presente na segunda parte da obra é a favor de um rinoceronte. Pedrinho, na companhia de Emília, boneca de pano esperta, sempre presente nas histórias de Monteiro Lobato, usam de artimanhas para ter em mãos um animal diferente e único entre eles: um rinoceronte fugido de um circo do Rio de Janeiro, que aparece no Sítio de Dona Benta. Esse momento é levado na obra como uma suposta crítica a política brasileira, quando os personagens adultos surgem com imagem de corruptos, tendo a certeza e o desinteresse de não encontrar o animal, possibilitando assim, a garantia de uma estabilidade financeira, perdendo o emprego caso conseguissem caçá-lo. Toda esperteza, planos, dos pequenos, em especial de Emília, fazem com que o animal permaneça também entre todos os moradores do Sítio.

A figura do personagem Pedrinho, desperta no leitor e também no público em geral, a imagem de um garoto corajoso e inteligente, capaz de encarar as mais arriscadas aventuras para uma criança. Essa idéia de “menino valente” possibilita a construção de um ser digno de superação, na certeza de que todo o medo deve prevalecer distante dos objetivos, quando eles surgem no propósito da dignidade, da valorização à vida, da superação às dificuldades, da garantia de erguer-se diante as conseqüências e tornar-se capaz, forte e vencedor.

Caçadas de Pedrinho é uma obra bem recebida pelo público em geral, um livro bastante trabalhado nas salas de aula pelos professores. Classificando como uma ficção do autor, a mensagem presente garante ao público leitor a certeza de que a obra lobatiana é rica na fantasia dos personagens, na realidade brasileira, com uma crítica à política do momento. Monteiro Lobato deve prevalecer na leitura do público em geral, mostrando o valor da Literatura Infantil, capaz de identificar nas palavras a garantia de uma vida melhor.

Referências bibliográficas

ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil: livro, leitura, leitor. In: __Belinky, Tatiana. A produção cultural para crianças. 4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990;

LOBATO, Monteiro. Caçadas de Pedrinho, Edição Integral e Ilustrada. Vol. III, Arlindo San, 1933;

LOBATO, Monteiro. O sítio de Dona Benta.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TEMÁTICA: DISCURSOS SENSACIONALISTAS NO TELEJORNAL

TEMÁTICA: DISCURSOS SENSACIONALISTAS NO TELEJORNAL
BRASIL URGENTE.

AUTORES: Adson Moreira de Souza, Fabiane Ferreira Neiva, Ludemberg Pereira Dantas, Maria Claudinei Alecrim de Souza e Mariana Dourado Vasconcelos.

INTRODUÇÃO:

Este trabalho tem como objetivo descrever as etapas e artifícios utilizados pelos enunciadores para a transmissão dos discursos sensacionalistas no telejornal. Desse modo, os estudos se deram a partir de conceitos da disciplina Significado e Contexto, tendo como suporte teórico a Análise do Discurso Francesa no momento que considera o discurso como uma prática da linguística e da comunicação. A construção da análise ideológica e também na produção de texto é colocada em destaque, nos Discursos Sensacionalistas no telejornal Brasil Urgente.

O interesse nasceu a partir do momento em que iniciamos o estudo da Ordem do Discurso, de Foucault: as “sociedades de discurso” têm por função conservar ou produzir discursos. Percebendo como a ordem discursiva é como uma frequência apresentada pelo telejornal acima citado, na sociedade, nos fez compreender a contribuição dos signos discursivo-linguísticos para a questão do sensacionalismo nos programas de mídia de massa, especialmente, os empregados no telejornal Brasil Urgente.

CONTEXTO HISTÓRICO DO TEMA-OBJETO:

Sabe-se que um dos meios de comunicação de massa mais importante é a televisão. Segundo Thompson, as primeiras experiências com transmissões televisivas se deram durante a década de 30, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos. Seu surgimento data de 1946 depois da Segunda Guerra Mundial pelo canal BBC da Inglaterra. De acordo com o site www.portalsaofrancisco.com.br no Brasil, o responsável pela difusão da televisão foi o jornalista Assis Chateaubriand, também criador do primeiro canal brasileiro, a TV Tupi em 1950.

O primeiro programa sensacionalista que se tem registro foi O Povo na TV, apresentado por Wilton Franco, transmitido pelo SBT em 1982. Nos anos 90 estreou na mesma emissora um programa que tinha como slogan “um jornal vibrante uma arma do povo que mostra na televisão a vida como ela é” o Aqui Agora, que contava com vários apresentadores e jornalistas entre eles Gil Gomes, sendo ele o grande destaque pela maneira como reportava a notícia de forma alarmante, extremamente trágica e cheia de suspense. Por conta do sucesso alcançado, outras emissoras criaram programas com o mesmo modelo, entre eles Brasil Urgente estreado em dezembro de 2001. Para prender a atenção do telespectador foram criados discursos de cunho apelativo com uso de imagens fortes e emotivas que chocam a mente dos telespectadores, daí surge o sensacionalismo: “maneira de divulgar notícias em tom espalhafatoso de modo a causar viva emoção” (HOLANDA, 1988, p. 953). Tendo como exemplo sensacionalista o que acontece nas falas do apresentador José Luís Datena no programa Brasil Urgente transmitido no dia 01/02/2010 “é o fim do mundo, é o dilúvio, Deus me livre, Santa Bárbara, bangalô três vezes” comentários em relação às chuvas na cidade de São Paulo no seu 43° dia.

SUPORTE TEÓRICO-METODOLÓGICO:

De acordo com Thompson (1995), percebemos quanto à televisão apresenta formas discursivas, linguistica e simbólica, quando são transmitidos discursos que têm o intuito de conquistar uma massa de telespectadores. A forma de se fazer um script, produzir, transmitir e olhar um programa de televisão gera o que muito se ver no cotidiano: pessoas cada vez mais influenciadas pela mídia, “escravas”, ao ponto de seguirem seus discursos como modelos de comportamentos. Já em, O Discurso das Mídias, de Patrick Charaudeau compreendemos que para se chegar a um grande número de pessoas, a mídia precisa despertar o interesse delas, tocando-as por meio da afetividade contida na informação. Assim, tanto os profissionais da comunicação quanto estudiosos da linguística entendem a relação entre mídia e sociedade. Uns defendem a informação como ato de comunicação e como discurso, outros como ato de alienação por meio de discursos elaborados. “Quem informa quem? Informar para que? Informar sobre o que? Informar em que circunstâncias. (CHARAUDEAU, 2006, p.72-104).

Dessa maneira, a notícia é o ponto central da mídia e busca sempre relatar, comentar e provocar a partir do acontecimento. Os métodos usados para fazer despertar cada vez mais à atenção do telespectador é que é construído na perspectiva de sensacionalização. Por isso, informação, comunicação, mídias, são as palavras de ordem do discurso da modernidade. As palavras têm grande poder persuasivo. Informação e comunicação são noções que remetem a fenômenos sociais, manipulando os indivíduos que se tornam cada vez mais envolvidos num meio sensacionalista. (CHARAUDEAU, 2006, p. 59)

Portanto, com esse trabalho observamos que a televisão utiliza uma linguagem considerada um discurso sem resposta, ou seja, o discurso é passado ao telespectador sem lhe dar oportunidade de agir como sujeito. Os programas sensacionalistas estão cada vez mais “interferindo” no comportamento de uma grande massa dos telespectadores. Com o intuito de censurar a notícia, tem-se uma sociedade cada vez envolvida em um universo de “faz de conta”, onde esses programas sempre chamam a atenção do público, e com isso, deixando de passar uma seriedade capaz de levantar mudanças significativas para o meio social.

REFERÊNCIAS

THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna. 2ed. Petrópolis: Vozes, 1995;
CHARAUDEAU, P. Discurso das mídias. 1 ed.São Paulo: Contexto, 2006.

sábado, 14 de agosto de 2010

A outra face - Pollyana Lima

A outra face
Pollyana Lima


Ludemberg Pereira Dantas

Com o lançamento do livro Coisas de Adolescente, Pollyana Lima retrata comportamentos de jovens que estão em fase de formação para a vida adulta. Em A Outra Face, busca despertar a atenção do público adulto-juvenil, envolvendo-se na vida e na história de uma família que tem na mãe seu exemplo de força, perseverança e desafios.

A rotina da família carente se faz presente na família de Amélia, uma senhora de um caráter surpreendente, mãe de cinco filhos: Ana Rosa, Beatriz, Clara, Pedrinho, Zeca e a esposa de Luiz. A família passa a viver seus dias com muita simplicidade, desejos, fragilidades, sonhos e mudanças radicais.

Depois de um passado de sofrimento, por ter que enfrentar conseqüências que a vida proporciona a uma pessoa de família carente, Amélia, com a profissão de lavadeira, dona de casa e feirante, passa a criar seus filhos com muita dignidade, contando com o apoio do esposo, que leva a vida como viajante.

Entre as crianças, tem-se Clara, jovem de uma beleza encantadora, próxima de completar quinze anos, que sonha com a tão almejada festa de aniversário. Menina bela, passa a despertar a atenção na pequena cidade, principalmente a dos rapazes que por ali se fazem presente. É nesse momento que nasce o cuidado da mãe, em ver que a filha apresenta um charme, que ela mesma, quando moça e ainda na vida atual, apesar de todas as dificuldades da vida, também apresenta.

Levantar cedo, acordar as crianças, prepará-las para o banho, o café da manhã e segui-las em direção à escola, ajudar na lição de casa, ordenar tarefas para auxílio doméstico, brincar nas horas de lazer como, por exemplo, as cantigas de roda, fazerem as refeições, todos juntos, sempre todos à mesa, e instruí-los nas orações, lembrando sempre de agradecer a Deus por mais um dia de vida, de saúde, de refeição. Esses são os mínimos cuidados de Amélia para com seus filhos, sempre se preocupando em oferecer a maior atenção na certeza de que sempre está e estará fazendo o papel de mãe, sem nunca decepcioná-los.

Preocupando-se me mostrar que na vida em família deve prevalecer a união e os bons costumes, a autora segue na certeza de que o bom exemplo, a determinação e a humildade são fundamentais para a vida humana.

Tem-se na família citada o exemplo de muitas das famílias carentes presentes mundo a fora. Seja na humildade, nas dificuldades e, acima de tudo, na garra, a história se propõe em mostrar que além de toda sinceridade no homem existe também fragilidades, que acabam gerando marcas que se contrapõem a uma realidade inesperada.

Tratando de valores sociais, políticos, amorosos, a história passa a ser motivo de atenção quando se vê que muitas das problemáticas citadas encontram-se no dia-a-dia da modernidade. Seja a corrupção por parte do político que busca almejar objetivos firmando forças na sua posição social, a problemática dos jovens que sonham com o melhor amor, apenas visando um status, no caso de Clara, que mostra casar-se apenas por interesse, e em especial na rotina da mãe guerreira, que cria seus filhos com determinação.

Preservando os valores de uma vida simples, A Outra Face se firma na idéia de que sempre deve existir a atenção e o carinho, exemplo de forças para seguir a vida. A transformação deve firmar-se na certeza de que vale a pena ser um sujeito digno de respeito. Assim, segue Amélia, uma mãe de família, que depois de toda dificuldade para criar seus filhos com bons exemplos, depara-se com uma mudança transformadora, quando não mais aceita ser maltratada por seu marido, que passa então a espancá-la, devido à fragilidade de entregar-se ao vício do álcool e do jogo. É quando ela, como mulher, torna-se mais ativa para uma recuperação emocional, passando então a ter nas noites, um socorro a sua existência. Uma virada radical em busca de uma sobrevivência, que o destino lhe impõe, ou lhe oferece a seguir.

Amélia muda a sua história e passa a viver como prostituta. Com isso, sua permanência na pequena cidade passa a ser recusada, mas os exemplos de amor e de força de vontade prevalecem, quando em memória, recebe homenagens.

A leitura do livro é destinada aos jovens, pais de famílias, adultos, em geral, a todos que sempre valorizam a vida em família, visando um aperfeiçoamento e os valores que uma união familiar pode enfrentar, percebendo o quanto que é possível o exemplo e a transformação em cada homem.

Eu e Pollyana Lima - Escritora e colega de curso.
Livro: http://www.editorabarauna.com.br/index.php?apg=cat&npr=285

sábado, 7 de agosto de 2010

Impressões de Leitura:

Impressões de Leitura


Triste Fim de Policarpo Quaresma
(Lima Barreto)

Josafá Alecrim de Almeida
Ludemberg Pereira Dantas

A obra Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, leva o leitor a envolver-se nas questões socioeconômicas do Brasil. Primeiro Romance pré-modernista brasileiro, tendo Lima Barreto como um dos principais representantes desse movimento. Passou a ser distribuída inicialmente em folhetins, no período de Agosto e Outubro de 1911, pelo Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, publicada em livro no ano de 1915.

Tendo como foco o nacionalismo, o romance surge com a intenção de dessacralizar o momento político da época em que o Brasil enfrenta com o governo de Floriano Peixoto: a consolidação da República. Policarpo Quaresma, personagem principal criado pelo escritor Lima Barreto nasce como um patriota assíduo do Brasil. Homem culto e sábio, porém sem nenhuma formação acadêmica. Canta o Brasil, suas terras, buscando algo contraditório: resolver os problemas da nação.

Uma figura enigmática, com paródia à Dom Quixote: “um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão por muita leitura de romances de cavalaria pretendendo imitar seus heróis preferidos”. Personagens que vivem em um mundo fora de suas espectativas. Ideários que não vão encontrar.

Tudo que Policarpo tenta fazer dá errado. Sonha por uma nacionlaidade que prime pelas suas tradições, buscando soluções políticas, econômicas e socias. Acreditava, (propondo) que todos deveriam falar Tupi, valorizando assim a permancência dos primeiros habitantes do Brasil: os indígenas, descontruindo a idéia de que o Brasil não tem que se impor à Lingua Portuguesa. Passa a ser ridicularizado e considerado como louco. É levado ao manicômio, porém lúcido. Permanece acreditando num Brasil ideal.

A imagem de um homem que busca na leitura o preenchimento de sua existência. Assim, Lima Barreto dar vida a Policarpo, que passa grande parte de seu tempo enfiado nos livros, dono de uma imensa biblioteca, onde a sociedade o critica dizendo que não o deveria possuir livros. Outra crítica ao persongaem bastante presente, quando decide através de seu companheiro, amigo, o seresteiro Ricardo Coração do Outros, aprender a tocar violão, instrumento considerado popular, mal visto pela sociedade burguesa. Nessa humilde aceitação à música, Policarpo passa a ter nas cordas violinas a sintonia da linguagem musical.

Diante de sua luta em querer implantar no Brasil uma única língua: Tupi-guarani, excluindo a existente sem levar em consideração todo um passado de dominação, ou seja de querer destruir o que já existe, o que já está implantado, Policarpo Quaresma é tido como doido, louco. Ao sair do manicômio desiludido pela não realização de sua utopia, por sugestão de sua afilhada Olga, Quaresma compra e passa a morar num sítio para levantar seu ânimo, onde em seu discurso é muito presente a fala dos portugueses: “terra que se plantando tudo dar” ou com suas próprias palavras “a nossa terra tem os terrenos mais férteis do mundo”.

Uma sacralização de Pero Vaz de Caminha, que constrói um Brasil apto a produzir em favor das terras brasileiras e uma dessacralização de Policarpo, que desconstrói a idéia da perfeição, quando não encontra resultados satisfatórios, que tanto almejava.

Todo patriotismo de Policarpo foi em vão, pois seu fim foi trágico, tentou implantar o Tupi e encontrou o riso, a ironia, a não aceitação. Estudou tudo que falava sobre as terras brasileiras, tendo um acervo completo de informações nacionais, a exemplos de Gandavo, Rocha Pita, Frei Vicente do Salvador, grandes escritores com informações nacionais. Tentou a agricultura e nada conseguiu a não ser a decepção. Em meio a uma sociedade sem idealização, o sonho de Policarpo era fantasia, um mito, assim percebe-se que é impossível conseguir atingir uma origem pura, livre das marcas estrangeiras e do passado.

O grande patriotra permanece na sua busca por um país de valores. Um homem que preza pela melhor qualidade da nação, amigo do presidente da república, tenta proporcionar reformas durante a Revolta da Armada, período em que o o Brasil encontrava-se no governo de Floriano Peixoto.

Um major de sangue, porém nunca de ofício. Como um “lutador” assíduo da nação, o grande Policarpo passa então a fazer parte ao batalhão do Cruzeiro do Sul, o qual segue para as praias do Rio de Janeiro e percebe que não é bem sucedido, quando ver que suas propostas não eram levadas a sério, caracterizado como dono de idéias irrealizáveis, pelo tão Marechal Floriano Peixoto, chegando também a desanimar-se por matar um dos revoltosos.

Uma seguência de barbáries leva o homem que sempre buscou a melhoria para seu país, deixando de lado sua vida, seus amores, seus estudos, para perceber ao fim que tudo se passava de uma ilusão, uma fantasia, como mero reconhecimento: o seu fracasso. Um fim trágico, quando Policarpo Quaresma chega a ser preso, condenado ao fuzilamento, em ordens de seu então magoritário, orgulho e ídolo: o preseidente Floriano Peixoto.

A identidade nacional que até então Quaresma almejava, deixa explícito que o país de um paraíso terrestre é desmascarado. Uma história não contribuida em nada. Uma literatura brasileira do século XX, presencia em Triste Fim de Policarpo Quaresma uma nacionalidade que nasce apenas do desejo ficcional. Grande marco da desscacrlização na literatura brasileira, dentro do nacionlismo. Uma afirmativa ilusória.

Portanto, o ideário almejado por Quaresma, ao invés de irnonia, gargalhadas, deve prevalecer na mente, nas ações do povo brasileiro a valorização de uma gente rica em culturas e valores. Um Brasil que tem muito o que se conquistar, de negros e de crianças que passam fome. Uma identidade sem exclusão. Um povo capaz de vivenciar não um país único e verdadeiro, mas uma nação de brasileiros.

A dupla.

Iracema (José de Alencar)

Iracema (José de Alencar)

Ludemberg Pereira Dantas

José de Alencar, no romance Iracema alegoriza o Brasil versus Portugal, mostrando uma história que por traz vive-se outra história. Como personagem principal tem-se Iracema, índia dos lábios de mel, cabelos longos, pele suave, de uma beleza encantadora, pertencente à tribo tabajara. Martins, representando os portugueses: Brasil (Iracema) e Portugal (Martim).

Alencar representa a imagem do índio como uma sacralização do mito heróico da figura sagrada. Está muito presente o jogo da hospitalidade. O índio é tido como herói, sendo ele considerado herói quando passa a ser rei de Portugal.

A história se desenvolve como “um romance proibido”, quando o encontro final da junção de Iracema e Martim tem objeção pelo pajé (Português), pai de Martim. Iracema leva Martim para sua tribo, oferecendo-lhe comida, mulheres que lhe servissem e guerreiros para lhe defender.

O final de todo esse contato nasce Moacir (primeiro habitante brasileiro), visto como “filho da dor”. Oculta a existência do negro, sendo uma crítica sobre o domínio das terras brasileiras, quando Portugal passa a ter o Brasil como “sua pertence”.

Visto como uma crítica a Identidade Nacional, o romance “desperta e afirma” o quanto que as terras brasileiras “sofreram” e vem sofrendo com a exploração.

Literatura e Identidade Nacional (Zilá Bernd)

Literatura e Identidade Nacional
(Zilá Bernd)



Ludemberg Pereira Dantas

A autora Zilá Bernd, no livro Literatura e Identidade Nacional, apresenta o termo identidade como um processo de permanente transformação. Evidencia o fato de que o homem , em todo um processo histórico “perpetua-se” de uma identidade, transformando o conhecimento, costumes adquiridos, na construção de sua imagem.

Tendo como exemplo o índio, Zilá Bernd o caracteriza como uma imagem sacralizadora, no momento que ele passa a ser considerado com um ser sagrado, puro, vivendo em um paraíso chamado Brasil (com uma natureza bela), sem nada que cobrissem suas vergonhas, portadores de arcas e flechas. Tem os portugueses frentes a uma busca de auto-satisfação: a América.

Zilá faz referência à identidade deixando claro que todo homem para formar a sua identidade é preciso ele aceitar a alteridade (identidade do outro), no momento que afirma também que “a imagem que se tem do outro é algo que se forma sobre si mesmo”.

O conceito de identidade para Bernd é algo sempre em formação. No texto literário, a sacralização surge com o objetivo de construção, levando o leitor a se envolver em um universo de descobertas, conhecimentos capazes de despertar e vivenciar o seu senso crítico. Na dessacralização predomina a desmistificação (desconstrução) do que representa a literatura.

Portanto, com uma visão crítica leva a conhecimento o conceito de identidade, a pessoa do índio, dos portugueses e as noções de sacralização e dessacralização, predominando na literatura o senso crítico.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Oficinas de Produção de Texto UNEB

Datas: 20 e 21 de julho de 20010
Local: Colégio Polivalente de Irecê
Foco: Gênero Dissertativo

Tema: Amizade


Textos dissertativos produzidos pelas alunas durante Oficina de Produção de Textos realizada nos dias 20 e 21 de julho de 2010 no Colégio Polivalente de Irecê Bahia, por alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, com orientações dos alunos do 2º Semestre de Letras da UNEB, Campus XVI: Ludemberg Dantas, Maria Cluadinei, Milton Cardoso e Taciane Pereira:

Talita de Souza Abade Coelho
(Selecionada como a melhor redação)

video

Agradecemos a todos os alunos e alunas que participaram dessa Ofcicina durante esses dois dias de encontro. Estamos à disposição para ajudar no crescimento de qualquer atividade referente à educação. Todos a favor do conhecimento!!!

sábado, 24 de julho de 2010

Adquirindo Conhecimento da Vida


Texto produzido pelo aluna Isana Bastos dos Santos, durante Oficina de Redação realizada nos dias 12 e 13 de julho de 2010 no Colégio Modelo de Irecê Bahia, com orientações dos alunos do 2º Semestre de Letras da UNEB, Campus XVI: Ailane Dias, Elka Viviana, Jamile Alves, Josafá Alecrim e Malane.

Adquirindo Conhecimento da Vida

1º lugar Isana Bastos dos Santos

Ter conhecimento é algo que não se pode negar, mesmo quando não o perseguimos, infiltra-se em nossa mente onde dificilmente sairá. Ao nascermos observamos atentamente tudo a nossa volta, sem uma real noção do quão importante isso se tornará no futuro, olhamos sempre de forma curiosa tudo que nos é novo, uma palavra estranha, características dos que estão a nossa volta, coisas assim ficam gravadas em nossa mente.

Sem dúvida, a vida é o maior veículo de aprendizagem do ser humano. È enquanto vivemos que tomamos conhecimento de nossas fraquezas e limites, mas é ai aonde encontramos também formas de contornar todos esses infortúnios, pois fomos criados com uma grande capacidade para deixarmos de lado o que impede nosso caminho, é o chamado “jeitinho brasileiro”, que nos mostra um bom exemplo de herança cultural aprendido através dos tempos.

Existem sempre aqueles que se mostram alheios ao motivo de tantas dificuldades e existem também aqueles que enxergam além do está a sua frente e percebem que ali onde antes se tinha perdido toda a motivação, está agora a chance de se mostrar capaz de ir além.

Aprender é o único motivo real pelo qual ainda existimos ou o que seria da humanidade sem tal capacidade? Em que lugar estaríamos, se século atrás nossos ancestrais pré-históricos não tivessem sucumbido a sua total necessidade de sobrevivência e não tivessem descoberto o fogo? Deveríamos nos apegar a esse ponto e ter total certeza de que viver é ir além das barreiras da vida, fazer com que a existência não tenha sido em vão.

Vida: Grande Escola e uma Dádiva Fatal

Texto produzido pelo aluno Douglas Batista, durante Oficina de Redação realizada nos dias 12 e 13 de julho de 2010 no Colégio Modelo de Irecê Bahia, com orientações dos alunos do 2º Semestre de Letras da UNEB, Campus XVI: Ailane Dias, Elka Viviana, Jamile Alves, Josafá Alecrim e Malane.

Vida: Grande Escola e uma Dádiva Fatal
  Douglas Batista

O que seria a vida? Seria uma dádiva fatal de onde não vamos sair vivos, como dizia Renato Russo, um grande poeta do rock nacional? Viver pode ser definido como experiências ou situações que nos farão seguir adiante com uma nova perspectiva.

São com esses fatos, do mais feito tombo a um simples sorriso, que na maioria das vezes, aprendemos a viver. Considera-se então que a vida é uma eterna escola, que com suas dificuldades, vitórias e superações nos ensinam a seguir sempre com a cabeça erguida e os olhos adiante. Mas qual a importância daquilo que aprendemos coma vida, já que no final ninguém sai vivo daqui?

Se essa vida que nos ensina nos tira todo o aprendizado com o passar do tempo, pois todas nossas memórias, lembranças, conhecimentos vão desaparecendo do nosso consciente e se firmando no nosso subconsciente e quando se chega nessa fase é quase impossível reverter a situação. Isto é lamentável para o ser humano e alem do mais a vida nos ensina várias maneiras de driblar catástrofes, doenças, acidentes, mas ainda não nos ensinou a driblar o seu oposto: a morte. Aprendemos e vamos sempre aprender nessa grande escola chamada vida, mas se não fizermos nada para valer a pena tudo isso, a vida perde seu sentido. Enfim vivemos para aprender e aprendemos para conseguir viver.

Ao longo da visa passamos por experiências e situações dos mais diversos tipos e não importa o que seja: sempre saímos com algo proveitoso, porém apenas valerá a pena se repassarmos aos nossos descendentes para que todo nosso conhecimento não seja perdido ou simplesmente se descobrirmos a fórmula para driblarmos a morte, pois assim conseguiremos todo aprendizado possível.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fábula: Seminário na Floresta

Tema: O desmatamento

Ludemberg Pereira Dantas

Em uma manhã de domingo, passeando pela floresta dona Joseja, uma senhora muito preocupada com o meio ambiente, percebe o quanto que a natureza está sofrendo com o desmatamento. É nesse momento que ela passa a lutar a favor da sobrevivência do homem e dos animais. Com isso, decide conversar com os moradores dali. De início, depara-se com o leão feroz:

- Olha seu leão, não venha ser bravo comigo não, porque hoje eu quero uma reunião!

- Quero a presença de todos para uma conversa séria: um seminário na floresta, com perguntas, questionamentos e sugestões.

Seu leão muito atento à nova visita e no que poderia acontecer com aquele evento, afirma:

- Sim, fique a vontade, a casa é da senhora e a nossa atenção também.

Com isso seu leão passa então a espalhar a notícia:

- Atenção a todos: hoje estamos com a visita da senhora Josefa. Ela está observando a floresta e preparando um seminário e exige que todos nós estejamos presentes para ouvi-la e participar também.

Sendo assim, a bicharada toda se reúne:

Chega seu macaco, com a macaca Fifia e os três macaquinhos. Seu macaco questiona:

- Já estou gostando desse encontro. Sei que vai ser bom para todos nós, porque tem muita coisa errada acontecendo por aqui. Quase que não tenho mais árvores para andar pulando de galho em galho. Isso ta errado!!!

Aparece também dona Girafa e família. Os tigres Filó e Fileno. As onças, as zebras, os pássaros, e todos que por ali estavam presentes.

Muito agoniado, chega o papagaio Lorovaldo, gritando:

- Tabareu, tabareu, vamos logo ao assunto que eu não tenho tempo a perder...

Josefa, com sua postura elegante e rígida, proclama:

- Quero a atenção de todos e espero ser retribuída com a certeza de que vão me obedecer!

Vejam essa reportagem:

“O desmatamento a cada dia deixa a vida do homem e dos animais em risco” (Jornal local).

Josefa segue:

- Sabemos que a cada dia a destruição de nossa natureza é crescente e com isso, somos muito prejudicados. Não é justo deixar que a nossa floresta sofra com o desmatamento. É necessário que haja uma conscientização do homem para não acabar destruindo por completo nosso meio ambiente.

Dona girafa:

- Olha senhora Josefa, eu com esse pescoço tão grande, e agradeço a Deus por isso, porque posso ver muita coisa de errada acontecendo por aqui sou sincera com a senhora: vejo todos os dias humanos, vindo aqui para destruir nosso lugar. Eles não pensam em nós. Chegam, desmatam, vão embora e voltam no dia seguinte. Sei que a senhora se preocupa com a gente, mas acho que a senhora tem que se preocupar também com quem causa isso, porque a gente não tem culpa não...

Senhora Josefa:

- Dona girafa, concordo com a senhora. Mas eu já pensei em tudo. Estou com essa intenção em ambas as partes, entre os humanos, que assim como eu também querem o melhor da natureza e nós vamos sim chegar até essas pessoas que chegam aqui para destruir a casa e a vida de vocês, mas sei que a senhora vê que é importante eu está aqui também, porque quero a contribuição de todos os moradores. Vocês podem ajudar e muito, porque são os que mais presenciam a vinda e as mazelas que eles realizam por aqui.

Toda a bicharada:

- É verdade isso! Nós vemos tudo!! Eles não pensam em nós!!! A gente vai é morrer aos poucos!! A senhora esta certa! Eu quero acabar com isso! Nós vamos acabar com isso...

Senhora Josefa:

- Pois bem, meu objetivo é simples: Quero diminuir e se possível acabar com essa ação.

- Eu, como humana vou conscientizar aos outros e vocês, principalmente vocês vão expulsar quem aqui aparecer para tal ato. Entendido?!

- Sim senhora! Deixa com nós!!!

E assim se fez: todos passaram a lutar pela sobrevivência da floresta,

e demorou para se vê outras reportagens daquelas por ali!

Moral da história: A união faz a força!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A favor da humanidade

RESENHA

EU SOU a lenda. Direção: LAWRENCE, Francis. Produção Akiva Goldsman. Gênero: Ficção científica. Warner Bros. EUA, 2007. DVD.


Ludemberg Pereira Dantas

Uma produção cinematográfica de ficção científica e terror, produzido no ano de 2007, com a direção de Francis Lawrence, diretor de videoclipes e de cinema, e a participação de Will Smith, artista renomado dos Estados Unidos com sucesso no cinema, na televisão e na música. O Ator protagonista vive o papel de Robert Neville, um cientista militar, tendo a pesquisa como fundamental para a inquietação humana. Uma adaptação do livro homônimo de Richard Matheson.

A história se desenvolve com a presença de um vírus, transmitido pelo ar que se alastra na cidade de Nova York e se espalha pelo mundo, causado há três anos por um cientista que buscava a cura para o Câncer. Robert o único que não foi contaminado, busca eliminar o vírus e salvar a população de 2012, mostrando ao mesmo tempo postura de “homem de guerra” e “exemplar estudioso da medicina”. As vítimas, a grande maioria morre e os demais vivem como vampiros, com sintomas semelhantes ao da raiva, comportamento selvagem e agressivo.

A luta diária de Robert Neville é seguida com os cuidados em não cometer algum erro para não ser pego pelas pessoas infectadas e também com a solidão que o atormenta a cada instante, vivendo somente com a companhia de sua cadela, Sam (Samantha). O filme é considerado de alto investimento, com cenas milionárias, como o exemplo da cena da Ponte de Brooklin, uma das mais antigas pontes de suspensão dos Estados Unidos, com 1.834 metros de comprimento, considerada a mais longa cena já filmada na cidade de Nova York até hoje, custando cinco milhões de dólares no orçamento.

A história segue tendo a pesquisa como um dos principais focos. A luta do coronel Robert é exemplo presente, estudando a solução para a descoberta da cura do vírus que destruiu 90% da humanidade. Buscando dados, registrando, analisando, fazendo experiências, tendo vítimas como cobaias, tudo em um laboratório equipado, usando seu próprio sangue. Sendo imune ao vírus, Robert passa a lutar a favor da cura, tento seus dias repletos de muita agitação, buscando respostas que lhe traga bons resultados. A pesquisa em laboratório, presente no filme, é exemplo de que o homem deve ir além de suas afirmações.

Como não vive mais em uma sociedade agitada, seguindo a rotina da grande Nova York, Robert tem momentos de solidão, em que procura refúgio dialogando com as manequins espalhadas nas lojas, montadas por ele mesmo, tendo em sua cadela a garantia de uma boa companhia. O exemplo maior de perseverança, de luta está presente quando o cientista busca na pesquisa soluções para o fim do vírus e a salvação da humanidade.

Na esperança de encontrar alguém a salvo, o militar espalha mensagens de rádio falando de sua sobrevivência. Uma Nova York vazia, abandonada como nunca. A presença dos monstros contaminados atormenta a cada instante a vida de Robert. Na tentativa, faz diagnósticos em pacientes contaminados, não encontrando cura.

Pesquisa, movimento e vontade, fazem do homem de Eu sou a lenda exemplo de força, garra e determinação.

Sem saber como se tornou imune do vírus, Robert, permanece salvo ao contato e a transmissão pelo ar. Os cães permanecem imunes somente com a transmissão ao ar, é quando sua cadela Sam é surpreendida por um dos monstros, chegando a ter que ser sacrificada pelo melhor amigo. Uma cena emocionante, quando Robert passa então a ter que viver a sós, entrando em desespero.

Com o objetivo de levantar possíveis soluções, respostas para perguntas inquietantes, afirmações para conceitos já firmados, a pesquisa passa a ser de fundamental importância para a existência da humanidade, tendo no filme o exemplo da medicina que transforma a vida humana.

O exército tenta salvar a população do vírus, onde todos vivem em aflição, buscando ser salvos e só podem ser levados aqueles que ainda não foram contaminados. Entre eles, tem a mulher a filha Neville que deixam Robert na esperança de reencontrá-lo, mas um acidente provocado por um helicóptero os separa por definitivo, tomando conhecimento do início da história por flash de sonhos e lembranças de Robert.

O desespero é muito presente na vida do único sobrevivente, no momento que ele passa a eliminar aqueles contaminados, que tentam atacá-lo. Quase que atingido, é salvo pela luz forte de um farol, trazendo Ana, interpretada por Alice Braga, atriz brasileira, que faz um trabalho brilhante ao lado do grande Will Smith. Acompanhada do filho Íthan, chegam até o militar por ouvir a mensagem de sobrevivência.

Uma passagem marcante é a lembrança feita ao “rei do reggae”, Boby Marley, em que Robert faz referência como “um ser humano que acreditava curar racismo e ódio injetando música e amor na vida das pessoas”. Ana até então desconhece o ícone da música, sendo para ele inaceitável esse desconhecimento. Qualifica o artista na frase: “Uma luz na escuridão”.

Em meio a tantas tentativas, o sucesso: a cura do vírus se faz presente. Quando não mais podem fugir dos monstros, Robert deixa Ana e o filho fora de perigo e passa a tentar acalmar as vítimas, que agressivos, só querem atacá-lo. Robert tenta convencê-los de que sua missão é salvá-los, gritando: - Eu posso salvar vocês. – Eu posso ajudar vocês. – Eu posso salvar todo mundo! Robert vê em Ana uma borboleta tatuada no pescoço, lembrando sua filha antes de partir: - Papai olha, é uma borboleta. Frase que marca o fim da família.

“O doutor Robert dedicou a sua vida a descoberta da cura e a salvação da humanidade. Em 09 de setembro de 2012 ele descobriu a cura, as 20h49m e as 20h52m ele deu a própria vida para defendê-la. Nós somos o legado dele. Esta é a sua lenda. Uma luz na escuridão”.

O filme é sugerido para estudantes, professores, profissionais e estudiosos em geral que tem a pesquisa como fonte de construção de conhecimento. Uma produção enriquecedora, tratando do conhecimento científico e da salvação da vida humana, na certeza de que existem respostas em meio a pesquisas, deixando a mensagem de que o homem pode ser persistente e acima de tudo um guerreiro.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O texto na sala de aula (João Wanderley Geraldi)

RESUMO:
Livro: O texto na sala de aula

(João Wanderley Geraldi)

Ludemberg Pereira Dantas


2º Capítulo
Gramática e literatura: desencontros e esperanças,
 Lígia Chiappini de Moraes Leite

A autora inicia-se fazendo uma reflexão sobre o ensino de língua e literatura, afirmando que no seu tempo de estudante literatura brasileira, literatura portuguesa e língua portuguesa pertenciam à disciplina chamada português. Seu estudo era realizado através da escrita, da leitura, da fala, buscando estudar a literatura no seu sentido mais complexo, sendo que, era estudada com o mesmo professor só que em horários diversificados.

Percebe-se que não se segue mais ao método passado. Hoje o estudo da história da literatura no segundo grau explora mais a apresentação de autores e obras exigidas no vestibular. No momento em que, tanto no primeiro e no segundo graus, a presença da gramática se fazem freqüentes, sejam para facilitar a compreensão de pequenos casos, até o enriquecimento dos mais diversos conceitos.

Diante os conceitos de língua e literatura, surge à intenção de entender a possível idéia de estudar ambas separadas. O estudo da expressão e da comunicação facilitaria ou dificultaria a compreensão da língua e da literatura? A resposta mais apropriada vem no sentido de que o estudo da literatura sempre está envolta do uso das palavras, e, portanto, estudar literatura significa também estudar língua. Contudo, a lingüística o estudo da lingüística para a especificação da linguagem oral e da linguagem escrita, cada qual com suas próprias normas.

Partindo do conceito do estudo do português, surge então a curiosidade: por que estudar essa disciplina? Por um lado específico, o uso do português torna-se essencial para o convívio e desenvolvimento na vida cotidiana. É através da leitura e da produção de textos que o professor leva o aluno a assumir uma critica e uma função de sujeito do discurso, seja enquanto falante ou escritor, seja enquanto ouvinte ou leitor.

Não apresentando uma única condição, a literatura sempre apresenta vários significados. O que fundamenta a importância da literatura para a vida de homem é sua necessidade de apreciar textos, exercitar a leitura e a escrita.

O signo lingüístico no sentido de classificar a palavra como fonte de significação, transforma o estudo da literatura incondicionalmente, ou seja, é através de uma palavra e seu significado que outro conceito surge e assim formam-se mais dúvidas, mais afirmações e tudo isso transforma a vivência do homem.


7º Capítulo:
Práticas de sala de aula

O capitulo inicia-se com um pequeno diálogo em sala de aula, onde a professora dona Furquim depara-se com o seu primeiro dia de aula e passa uma tarefa de casa, onde todos devem em todas as aulas, trazer um pequeno texto livre com 10 linhas, não mais que isso, contando algo que aconteceu em casa, ou seja, uma história do dia-a-dia. Com essa atitude, nasce então a idéia de que é bom aprender para a vida.

Usando da prática da leitura, surge então à idéia de levar o aluno à leitura, visando à prática de produção de texto, o professor se encarrega de indicar obras literárias para os alunos, como contos, crônicas, reportagens, lendas, notícias de jornais, editoriais, romances e novelas. Com o objetivo de tornar o ato de ler uma tarefa essencial, rotineira, onde os alunos possam trocar livros.

Considerado a aplicação da proposta nos últimos quatro anos do fundamental, ao final cada aluno terá lido, no mínimo, quarenta romances, o que lhe permite efetivamente realizar estudos de literatura durante o segundo grau, sendo essa, uma prática de como trabalhar com os alunos em sala de aula na indicação da leitura dos livros.
17/02/2010

A inquietação do discurso

RESUMO:
A Inquietação do Discurso

(RE)LER MICHAEL PÊCHEUX HOJE
(Denise Maldidier)
Ludemberg Pereira Dantas

O livro, a Inquietação do Discurso, de Denise Maldidier, apresenta a análise do discurso através do pensamento de Michel Pêcheux. A autora cita ideologia como um sistema cheio de furos. Classifica o discurso como polêmico, lúdico e autoritário. Michel Pêcheux fixa a importância da instalação desse seu “objeto”, o discurso, estando ao mesmo tempo do lado da teoria e da análise do discurso.

O discurso, entre os seus diversos significados, é apresentado como todos os fios constitutivos de um objeto radicalmente novo, constituindo também como uma reformulação da fala saussuriana, desembarcadas de suas implicações subjetivas. Pêcheux faz referência também ao interdiscurso. Em outros termos, o interdiscurso designa o espaço discursivo e ideológico no qual se desdobram as formações discursivas em função de relações de dominação, subordinação, contradição.

Fluente no meio social, o discurso se articula sobre a língua, tendo o texto como parte essencial da análise do discurso, classificando-o, em um sentido, como a reescrita de todos os textos precedentes. Sabe-se que a lingüística é constituída como uma ciência em um constante debate com a questão do sentido, formando assim o discurso.

Como estudioso também do discurso, Michael Foucault, que defende o discurso no seu sentido ideológico e como também um portador de poder, apresentando uma “verdade”, Michel Pêcheux teve sempre o sentimento de trabalhar ao seu lado. Além de Foucault, Pêcheux cita vários outros pensadores, como: Marx, Freud, Saussure, Joseph, que proporcionam uma atenção na forma como a lingüística se move diante ao meio, seja com a escrita, a fala, o discurso.

Portanto, o presente livro apresenta a análise discursiva tendo Michel Pêcheux um pensador da palavra. Suas reflexões sobre a leitura, seu pensamento a respeito do discurso, faz com que Denise Maldidier lança o interesse de se posicionar também com uma “inquietação” que não deixará o discurso calar-se.
Palavras: 300.

A ordem do discruso

RESENHA:
A Ordem do Discurso

(Michel Foucault)

Ludemberg Pereira Dantas

Diante uma sociedade moderna, que sempre vem passando por transformações sociais, culturais e econômicas, vê-se quanto o pensamento, a fala e o raciocínio são fundamentais para a construção de uma opinião. No livro A Ordem do Discurso, Michel Foucault discute a questão de que todo homem, na medida em que se qualifica como um ser racional tem consigo a capacidade de raciocínio e informação, a ponto de que, fazendo uso das palavras, busca expor sua necessidade de comunicação, mostrando-o envolvido nas questões que move o saber, o poder e a verdade.

Na maioria das vezes em que o ser humano se encontra diante do seu pensamento, usa de informações e conhecimentos para afirmar o que “acredita ser verdade”; nesse momento o uso das palavras se faz presentes, para assim, reconhecer que, por um determinado momento, é preciso deixar claras as afirmações vindas de fontes seguras e antigas, formando opiniões que no decorrer do tempo qualifica o ser, o espaço e o tempo. Por isso, todo indivíduo, seja ele com um grau de formação primário, médio ou até mesmo superior, apresenta sempre um discurso.

Levado por uma filosofia de que a sociedade sempre dispõe de um discurso, que tem como política a verdade, seguido de poder, Foucault relata a discurso do louco, que diferente dos normais, vem seguido de preconceito, onde a sociedade o tem como um sujeito demente, considerando que suas palavras não apresentam nem verdade nem importância, impedindo-as de serem ouvidas e espalhadas, ao ponto que, quando as são, a sociedade não percebe a sua verdade. Essa visão do louco remota desde a Idade Média, onde sua palavra não era ouvida, e quando o era, era ouvida como uma palavra verdadeira. E na modernidade, esse conceito permanece, mas acabam eles, os “loucos”, ficando ocultos. É nesse momento que todo homem passa por intermédio do discurso direto ou indireto, a construir o seu caráter.

Um fator importante em destaque é a citação: "vontade de verdade, discurso de verdade". No momento em que cada ser usa de afirmações para referir-se a um determinado assunto, já sabe ele que aquele conhecimento não é seu, é fruto de uma conseqüente transformação vinda de gerações passadas, e que por intermédio da disciplina, do saber, transforma a sociedade. Contudo, antes de qualquer coisa é preciso responsabilidade ao se comunicar, na medida em que uma palavra mal colocada, um conhecimento não concreto, transforma o que deveria ser útil em desagradável.

Com mudanças socioeconômicas, a sociedade se transforma a cada instante. Sejam movimentos históricos, religiosos ou políticos; escritos e estudados pela humanidade há séculos, a história do discurso, deixa certo de que cada homem tem consigo a necessidade de se comunicar, havendo assim opiniões e mais opiniões, pois a partir do momento em que uma informação é dita com palavras vindas de conclusões pessoais, o novo aparece, e é nesse novo que a humanidade está envolvida a cada instante. Seja qual for o discurso, na mais humilde de sua realidade é capaz de fazer parte e ao mesmo tempo contribuir para a sociedade, valorizando assim cada instante e cada ser.

Em conseqüência de muitas afirmações, discursos e mais discursos, o Mundo chega a ser o espaço de contestações. Na maioria das afirmações científicas, dos estudos debatidos, chega-se a afirmar que a verdade pouco existe, a ponto que, a cada momento, estar discutindo que algo é verdadeiro e debater diante algo é afirmar que falta muito ainda o que aprender, ou seja, o verdadeiro sempre tem o seu lado questionador. Como o homem foi, é e sempre será curioso, as perguntas sempre existirão, ao ponto que tudo que se diz novo foi velho e o que é velho nunca acabará.

Considerando que o discurso passa a ser uma verdade em constante transformação, a humanidade vem levando em consideração que a cada momento, todo conhecimento que lhe é atribuído é conseqüência de que para viver é preciso um ideal, é preciso respostas e decisões, para assim, construir idéias, solucionar problemas, aceitar as conseqüências e acreditar na possibilidade sempre de um novo.

Colocar-se diante a tanta movimentação social, cultural, tecnológica e religiosa é estar disposto a uma "vontade de verdade". Vontade de ser um sujeito participativo, de aceitar as conseqüências como possíveis providências, de amparar os problemas para possíveis soluções, de questionar os erros para possíveis acertos, de levantar sonhos para esquecidos objetivos.

Todo indivíduo que passa a escrever de fato o que pensa, é considerado um ser existente de idéias, de argumentos, que tem como objetivo transformar ou até mesmo mostrar sua realidade. Buscando o saber, a disciplina é formada de afirmações verdadeiras e falsas, essas que estão sempre a mercê de discursos, e que assim, classifica a educação como nascente de idéias.

É preciso buscar entender a sociedade, discutindo sempre as questões que move o Estado, para assim poder usufruir de uma Ordem, essa, que venha favorecer a todos, excluindo a corrupção, o preconceito, a miséria, a violência, que amedrontam. Portanto, é na certeza de que o discurso é importante, que cada indivíduo deve participar ativamente na esperança de melhores condições de sobrevivência.

O que é literatura?

RESENHA:

EAGLETON, Terry. O que é Literatura? In: Teoria da Literatura: uma introdução. Tradução Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

Ludemberg Pereira Dantas

Tendo as palavras a capacidade de transformação, surge então a curiosidade de entender como e quando elas são desenvolvidas ao ponto de haver uma compreensão literária. Considerando o texto O que é Literatura? de Terry Eagleton, a literatura é inserida como a escrita imaginativa, essa, que a cada instante vem sofrendo observações, que no decorrer de um momento, o que era ficção passa a ser compreendido como realidade, ou não, a depender do seu contexto.

Composta por livros, poesias, autores, escritores, poetas, a literatura vem ganhando espaço na humanidade há séculos, onde cada produção, seja ela um pequeno pensamento até uma grande obra publicada, tem como objetivo levar ao interlocutor uma mensagem, havendo assim uma oportunidade de fazer do homem, um ser pensante.

Diferente da linguagem cotidiana, onde a sociedade faz uso da comunicação para levar e colher o conhecimento, a linguagem literária passa a ir além, tornando-a comprometida em despertar uma aproximação real do que possa ser fato, conseqüência, ficção. Nesse sentido, é preciso uma organização das palavras em mostrar o que para uns encontra-se oculto, para a literatura inicia-se um pensamento.

Citando os formalistas (influentes da crítica literária) na compreensão e no significado da literatura, Eagleton faz referências ao ponto de caracterizar a linguagem literária, mostrando a necessidade de conteúdo e de motivação. O autor faz também uma observação do “estranhamento”, visto com o objetivo sempre de envolver o leitor.

Presente no meio social, o discurso é capaz de transmitir o conhecimento, querer o entendimento e gerar dúvidas. Na visão literária, um discurso tem a capacidade de transformação, ao ponto que ele sempre está em processo de mudança, assim, não é suficiente um discurso e sim vários discursos, esses que venham permanecer e serem questionados sempre.

“Pensar na literatura como os formalistas o fazem é, na realidade, considerar toda a literatura como poesia” (Pg. 9). Buscando um raciocínio, a poesia, em diversos sentidos, faz com que cada verso seja de motivação, dando continuidade ao raciocínio, esse que nunca chegou e nem chegará a um fim, possibilitando sempre a grandeza que é está envolvido em um universo de sabedoria.

Escrever de forma breve, moderada, realista, sem limitações, a depender do contexto é está sendo literário. É com essas características que Terry Eagleton desenvolve a compreensão de literatura. Usa de uma linguagem clara, envolvendo o leitor, despertando um interesse próprio de aprofundamento, pois é quase que inexistente o momento em que o homem não vive a literatura, ao ponto que ele está inserido em uma sociedade que é composta de palavras, essas que sempre traz e leve significados adversos.

Levando o autor a compreender a literatura de forma simples, o texto apresentado faz uma referência à pragmática, como uma característica própria de um texto. Deixando claro que a literatura não tem uma finalidade prática imediatista, o autor considera a linguagem literária como não-pragmática, ou seja, não tem uma função; é nesse momento que a literatura passa a “ganhar mais vida”.

Composta de qualidades, exceto dizer que a literatura faz parte de algo ou alguém. Não é válido privar o que está sempre à disposição de todos, que na sua mais humilde função, transforma o espaço e o tempo, dando sentido ao uso das palavras.

A visão de que só é literatura aquilo que é escrito de forma bonita, para Eagleton não é válido, pois ela se contradiz ao ponto que existem as escritas não “tão belas” num instante em que elas são também consideradas e valorizadas como textos literários.

Umas das características citada nesse texto de grande valia para o entendimento e aprofundamento da linguagem literária são a releitura e a reescritura. Todo escrita na sua prática sofreu e vem sofrendo alterações. Com isso, dá-se a perceber uma necessidade nova de compreensão. Quando o homem passa a tê-la, lendo, interpretando, pré-estabelece a necessidade de uma reescrita, capaz de oferecer sempre inovações, mudanças, essas que julgam sempre o crescimento intelectual e poético.

“Sem interesses particulares não teríamos nenhum conhecimento, porque não veríamos nenhuma utilidade em nos darmos ao trabalho de adquirir tal conhecimento” (Pg. 21). A sociedade que vive em favor de um poder centralizado, que julga o que acredita certo e errado como fontes de sobrevivência, nem sempre se compõe de qualificação propriamente dita. Uma das grandes capacidades que a literatura apresenta no meio social é o despertar pelo conhecimento. Nenhum leitor, por mais prévia que seja sua leitura se propõe a fazê-la por um simples “capricho”, na verdade ele “se joga” com a necessidade mesmo de adquirir um conhecimento, e esse sempre aparece, seja com o significado de uma nova palavra até a rica idéia de dedicar-se aos maiores e numerosos acervos.

O autor faz referência à Ideologia, buscando o entendimento quanto ao que se diz e o que acredita, construindo assim um poder diante a sociedade. No momento moderno, crítico, tem-se também ideologia como um principio caracterizado de uma necessidade imposta pela sociedade. É nessa necessidade que se conquista e prevalece a determinação de cada indivíduo, ele, dono de seus próprios objetivos e os demais capazes de exercer o poder sobre os outros.

Contudo, a grandeza da obra de Eagleton, O que é Literatura, está na capacidade e simplicidade como ele leva o leitor a valorizar a escrita e a leitura, ambas construindo uma linguagem simples e ao mesmo tempo rica de conhecimentos, de mudanças. Nesse livro nenhum leitor vai encontrar uma única definição do que seja de fato literatura, até porque não existe, ele vai ter uma imensa capacidade de compreensão da linguagem literária como um momento de prazer, de cultura, valorização de um significado que amanhece, anoitece e enriquece.