domingo, 28 de fevereiro de 2010

O que é literatura?

RESENHA:

EAGLETON, Terry. O que é Literatura? In: Teoria da Literatura: uma introdução. Tradução Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

Ludemberg Pereira Dantas

Tendo as palavras a capacidade de transformação, surge então a curiosidade de entender como e quando elas são desenvolvidas ao ponto de haver uma compreensão literária. Considerando o texto O que é Literatura? de Terry Eagleton, a literatura é inserida como a escrita imaginativa, essa, que a cada instante vem sofrendo observações, que no decorrer de um momento, o que era ficção passa a ser compreendido como realidade, ou não, a depender do seu contexto.

Composta por livros, poesias, autores, escritores, poetas, a literatura vem ganhando espaço na humanidade há séculos, onde cada produção, seja ela um pequeno pensamento até uma grande obra publicada, tem como objetivo levar ao interlocutor uma mensagem, havendo assim uma oportunidade de fazer do homem, um ser pensante.

Diferente da linguagem cotidiana, onde a sociedade faz uso da comunicação para levar e colher o conhecimento, a linguagem literária passa a ir além, tornando-a comprometida em despertar uma aproximação real do que possa ser fato, conseqüência, ficção. Nesse sentido, é preciso uma organização das palavras em mostrar o que para uns encontra-se oculto, para a literatura inicia-se um pensamento.

Citando os formalistas (influentes da crítica literária) na compreensão e no significado da literatura, Eagleton faz referências ao ponto de caracterizar a linguagem literária, mostrando a necessidade de conteúdo e de motivação. O autor faz também uma observação do “estranhamento”, visto com o objetivo sempre de envolver o leitor.

Presente no meio social, o discurso é capaz de transmitir o conhecimento, querer o entendimento e gerar dúvidas. Na visão literária, um discurso tem a capacidade de transformação, ao ponto que ele sempre está em processo de mudança, assim, não é suficiente um discurso e sim vários discursos, esses que venham permanecer e serem questionados sempre.

“Pensar na literatura como os formalistas o fazem é, na realidade, considerar toda a literatura como poesia” (Pg. 9). Buscando um raciocínio, a poesia, em diversos sentidos, faz com que cada verso seja de motivação, dando continuidade ao raciocínio, esse que nunca chegou e nem chegará a um fim, possibilitando sempre a grandeza que é está envolvido em um universo de sabedoria.

Escrever de forma breve, moderada, realista, sem limitações, a depender do contexto é está sendo literário. É com essas características que Terry Eagleton desenvolve a compreensão de literatura. Usa de uma linguagem clara, envolvendo o leitor, despertando um interesse próprio de aprofundamento, pois é quase que inexistente o momento em que o homem não vive a literatura, ao ponto que ele está inserido em uma sociedade que é composta de palavras, essas que sempre traz e leve significados adversos.

Levando o autor a compreender a literatura de forma simples, o texto apresentado faz uma referência à pragmática, como uma característica própria de um texto. Deixando claro que a literatura não tem uma finalidade prática imediatista, o autor considera a linguagem literária como não-pragmática, ou seja, não tem uma função; é nesse momento que a literatura passa a “ganhar mais vida”.

Composta de qualidades, exceto dizer que a literatura faz parte de algo ou alguém. Não é válido privar o que está sempre à disposição de todos, que na sua mais humilde função, transforma o espaço e o tempo, dando sentido ao uso das palavras.

A visão de que só é literatura aquilo que é escrito de forma bonita, para Eagleton não é válido, pois ela se contradiz ao ponto que existem as escritas não “tão belas” num instante em que elas são também consideradas e valorizadas como textos literários.

Umas das características citada nesse texto de grande valia para o entendimento e aprofundamento da linguagem literária são a releitura e a reescritura. Todo escrita na sua prática sofreu e vem sofrendo alterações. Com isso, dá-se a perceber uma necessidade nova de compreensão. Quando o homem passa a tê-la, lendo, interpretando, pré-estabelece a necessidade de uma reescrita, capaz de oferecer sempre inovações, mudanças, essas que julgam sempre o crescimento intelectual e poético.

“Sem interesses particulares não teríamos nenhum conhecimento, porque não veríamos nenhuma utilidade em nos darmos ao trabalho de adquirir tal conhecimento” (Pg. 21). A sociedade que vive em favor de um poder centralizado, que julga o que acredita certo e errado como fontes de sobrevivência, nem sempre se compõe de qualificação propriamente dita. Uma das grandes capacidades que a literatura apresenta no meio social é o despertar pelo conhecimento. Nenhum leitor, por mais prévia que seja sua leitura se propõe a fazê-la por um simples “capricho”, na verdade ele “se joga” com a necessidade mesmo de adquirir um conhecimento, e esse sempre aparece, seja com o significado de uma nova palavra até a rica idéia de dedicar-se aos maiores e numerosos acervos.

O autor faz referência à Ideologia, buscando o entendimento quanto ao que se diz e o que acredita, construindo assim um poder diante a sociedade. No momento moderno, crítico, tem-se também ideologia como um principio caracterizado de uma necessidade imposta pela sociedade. É nessa necessidade que se conquista e prevalece a determinação de cada indivíduo, ele, dono de seus próprios objetivos e os demais capazes de exercer o poder sobre os outros.

Contudo, a grandeza da obra de Eagleton, O que é Literatura, está na capacidade e simplicidade como ele leva o leitor a valorizar a escrita e a leitura, ambas construindo uma linguagem simples e ao mesmo tempo rica de conhecimentos, de mudanças. Nesse livro nenhum leitor vai encontrar uma única definição do que seja de fato literatura, até porque não existe, ele vai ter uma imensa capacidade de compreensão da linguagem literária como um momento de prazer, de cultura, valorização de um significado que amanhece, anoitece e enriquece.

7 comentários:

Anônimo disse...

Legal!

josafa disse...

MUITO BEM BERGÃOOOOOOOOOOOO O CONHECIMENTO SÓ TEM SENTIDO QUANDO É SOCIALIZADO.PARA QUEM GOSTA DE FILME EU SOU A LENDA É O FILME! E MELHOR AINDA QUANDO É VISTO NUMA PERSPECTIVA PARA ANÁLISE A NÍVEL DE PESQUISA OU SEJA RESENHA CRÍTICA RSRS valeu cara!!

Ludemberg Pereira Dantas disse...

Vlw ai Professorrrrr Josafaaa!!! rsrs. É velho, e essa é nossa intenção: compartilhar sempre o conhecimento.Vlw por comentar.
Abraço.

malane disse...

Hum...Gostei de sua resenha ...Você tem uma percepção bastante interessante das características que a englobam.
Adorei a conclusão, você fez com que o leitor queira ou não queira....ler o livro...rsrsrs...
Mostrou que entendeu realmente o tema abordado....Parabéns...
Malane Apolonio

Ludemberg Pereira Dantas disse...

Malane, muio grato por receber essas conclusões suas, uma professora já quase formada!
vlw.

Anônimo disse...

OI, PARABÉNS, VC TEVE UM BOM ENTENDIMENTO DO TEXTO. EU ACHEI O TEXTO MUITO DIFICIL DE ENTENDER. PARABÉNS

Fernando Moura disse...

Cara, muito bom! Obrigado!

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