sábado, 18 de fevereiro de 2012

Leite Derramado (Chico Buarque)


Leite Derramado (Chico Buarque)


 Ludemberg Pereira Dantas

Chico Buarque de Holanda, cantor e compositor brasileiro, publica o livro Leite Derramado em 2009, uma narrativa amorosa que faz uma crítica à sociedade do século XX, com uma visão extremamente pessimista de um povo corrupto, preconceituoso na classe, na cor e na sua história.

O livro é o resultado de um escritor que se encontrava em um dos seus melhores momentos com a linguagem, abordando diversas temáticas em um volume onde os capítulos não receberam títulos e nem ordem cronológica. A história é narrada por um centenário, no leito de um hospital público, lugar onde passa a contar suas memórias para a sua filha e às enfermeiras.

Eulálio, homem de uma família da elite, da corte portuguesa é a representação de um fracassado, que tinha por Matilde toda uma esperança de um amor não correspondido. A narrativa apresenta-se carregada de uma linguagem que faz tanto o autor como o leitor se envolverem nas temáticas, quando apresenta a memória como sendo personagem principal, tendo assim, a oportunidade de levar a ficção juntamente com a narrativa clássica, contemporânea.

O autor demostra o seu desejo em tratar de um preconceito, quando em Matilde é criada um branqueamento por parte de Eulálio, que nega sua situação econômica atual por ter feito parte de uma família rica no passado, que tem no país uma corrupção na politica, na economia, com destruição na natureza, para a satisfação de moradias luxuosas, como exemplo de sua mansão em Copacabana.

Assim, é criada uma narrativa que leva um contexto a questões de discussão contínua, onde um dos objetivos do autor é apresentar uma literatura capaz de fazer o homem pensar seus valores morais, éticos, sociais, para que assim, surjam novas concepções. 
16/12-2011

Um comentário:

Milton Cardoso disse...

Aqui, o autor deveria ter feito um paralelo entre o narrador pós-moderno e o romance de Chico Buarque. Embora o enredo realmente desmente os meandros históricos que aprendemos na escola, parece-me que a proposta da avaliação era mesmo a de situar o narrador como mero espectador ou, melhor, como um "narrador narcísico".

Postar um comentário