sexta-feira, 23 de março de 2012

Projeto de Pesquisa e Estágio na APAE de Irecê - Bahia

Projeto de Pesquisa e Estágio na APAE de Irecê - Bahia
“O exercício de qualquer profissão é prático, no sentido de que se trata de aprender a fazer “algo” ou “ação”. A profissão de professor também é prática. E o modo de aprender a profissão, conforme a perspectiva da imitação, será a partir da observação, imitação, reprodução e às vezes, reelaboração dos modelos existentes na prática consagrados como bons.”
Selma Garrido Pimenta
(Estágio e Docência, 2004, p. 35)


QUESTIONÁRIO
                                                                                
            Prezado (a) professor (a), estamos realizando uma pesquisa sobre a APAE: Associação de Pais e Amigos Especiais, e para isso, gostaríamos de lhe pedir, encarecidamente, que por gentiliza, o senhor (a) respondesse a essas perguntas:

                                                                                                  
  1. Quais são as dificuldades para trabalhar a socialização das crianças, jovens e adultos especiais?
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  1. Quantas turmas existem na APAE? As crianças são separadas por faixa etária?
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  1. Em função das necessidades especiais distintas, há possibilidade de trabalhar a socialização das crianças coletivamente?
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  1. Quais as atividades desenvolvidas e suas funções específicas?
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  1. A nossa cidade apresenta um número considerado de crianças, jovens e adultos especiais recebendo a atenção necessária? Como nossos representantes podem oferecer mais atenção?
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PROJETO DE ESTÁGIO I


  1. ÁREA DE ESTUDO: Educação Especial e Ludicidade

  1. RECORTE TEMÁTICO: Interatividade e Ludicidade com alunos especiais da Apae (Associação de Pais e Amigos Excepcionais) de Irecê-Ba.

  1. PÚBLICO-ALVO: Crianças e jovens portadores de necessidades especiais.

  1. CARGA-HORÁRIA: 20 horas.

  1. APRESENTAÇÃO: Este projeto tem por finalidade a implementação de oficinas de teatro, música e brincadeiras lúdicas, capazes de desenvolver competências e habilidades básicas e essenciais para o desenvolvimento cognitivo e a socialização dos alunos portadores de necessidade especiais, promovendo as adaptações que forem necessárias para o acompanhamento e atendimento das necessidades especiais apresentadas pelas crianças e jovens.

  1. CARACTERIZAÇÃO DA PROPOSTA DE ESTÁGIO: Sendo o estágio uma pesquisa, com a experiência em vivenciar o dia-a-dia dos alunos e da sala de aula, buscamos com esse projeto fazer oficinas em um espaço não formal, na Apae de Irecê, que através da proposta e de observações, o grupo constatou que é gratificante participar de uma educação inclusiva, lúdica, com crianças e jovens portadores de necessidades especiais e assim, formar uma nova perspectiva da prática pedagógica.

  1. JUSTIFICATIVA:

Partindo do pressuposto de que a Educação Inclusiva, através da interatividade e da ludicidade, tem por finalidade a inserção de crianças portadoras de necessidades especiais no ambiente escolar comum a todos, entende-se que há imensas discussões que buscam chegar à verdadeira inclusão.
Diante dessa situação, têm-se observado como grande parte destas crianças, adolescentes e jovens não tem acesso à rede regular de ensino, seja por não aceitação da escola, ou por falta de estrutura escolar para receber a criança, ou adolescente ou o jovem.
Assim são criados os centros de apoio e escolas especialmente para este tipo de alunos. No ambiente da escola inclusiva, são criadas formas de ensino, didáticas e orientações tanto aos alunos quanto aos pais.
Com base nessa problemática, surge a necessidade de auxiliar estas escolas contribuindo na aplicação de didáticas que trabalhem com a capacidade do aluno especial em utilizar o lúdico como um meio de comunicação, abstração e compreensão do mundo que o cerca.
Diante do exposto, o trabalho com o teatro, música e brincadeiras lúdicas, no ambiente de uma escola inclusiva, com a interatividade e a ludicidade, é de fundamental importância para a abstração, pois essas atividades aguçam a capacidade cognitiva dos alunos, desenvolvendo habilidades comunicativas, aumenta a autoestima, além de propiciar relações interpessoais. Buscando também, aproximar os alunos especiais para o universo acadêmico como incentivo a uma educação de representação.

  1. OBJETIVOS:

8.1: GERAL:

Desenvolver oficinas de teatro, música e brincadeiras lúdicas capazes de aguçar habilidades e competências diversas nos alunos portadores de necessidades especiais.

8.2: ESPECÍFICOS:

·         Atender aos estudantes portadores de necessidades especiais;
·         Desenvolver a aprendizagem coletiva;
·         Estabelecer formas criativas de aprendizagem;
·         Propiciar a valorização da identidade e da autoestima;
·         Ajudar na identificação de potencialidades.

  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: De acordo com nossas observações, e com os estudos precedentes sobre crianças portadoras de necessidades especiais, decidimo-nos pela possibilidade de trabalhar a intervenção pedagógica a partir das ideias de Vygotsky, onde a educação dá-se mediante com o professor na realidade do aluno, cumprindo com as funções básicas de socialização entre pensamento e linguagem. Abordaremos as questões a partir das propostas lúdicas de oficinas de teatro, de músicas e brincadeiras lúdicas, introduzindo novas formas e experiências futuras com os alunos, contribuindo, assim para que a intervenção se alie à educação inclusiva. O mais importante, porém, será dispensar à criança um tratamento que o inserisse, na medida do possível, como sujeito de um mundo passível de aprendizagem.

  1. METODOLOGIA:

10.1.POPULAÇÃO AMOSTRA: Este projeto terá aplicabilidade de turmas de alunos portadores de necessidades especiais, através dos alunos graduandos do V semestre do curso de Letras da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVI – Irecê-Bahia.

10.2.INSTRUMENTO DE PESQUISA: É todo material ou meios utilizados, como anotações, fotografias, filmagens, para colher e reunir dados através de técnicas específicas para a realização da pesquisa. Existem diversos instrumentos de coleta de dados que podem ser utilizados para obter informações a cerca do fenômeno estudado. Portanto, nesse projeto os oficineiros terão que preparar um ambiente adequado para que os alunos sintam-se à vontade para familiarização, em seguida conhecer as necessidades específicas dos alunos para propor atividades que alcancem as peculiaridades de cada um.

  1. CRONOGRAMA:

Tema: Interatividade e Ludicidade com alunos especiais
Nº Ordem da aula
Atividades
Estratégias/Recursos
04 horas
Teatro com fantoche
Apresentar diálogos interativos / Bonecos, etc.
04 horas
Brincadeiras lúdicas
Interagir em rodas de diversão / Cadeiras, etc.
04 horas
Música
Descontração / Cd, dvd, vídeos, etc.
04 horas
Peça Teatral
Interpretação / Áudio, Figurinos, etc.
Datas: 12, 13, 14 e 15 de março de 2012. Das 14:00 hs as 18:00 hs.


  1. RECURSOS: Lápis, borracha, livros, quadro-negro, papel oficio, gravuras, cartolina, canetas, lápis de cor, figurinos, cenários, cadeiras, cd/dvd, outros.




RELATÓRIO

ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO I

1.   INTRODUÇÃO:

Diante os estudos de prática pedagógica, com suportes teóricos embasados nos conceitos de Selma Garrido Pimenta, em seu livro “Estágio: diferentes concepções”, chegamos a conclusão da importância, através da teoria e prática, de estudar a prática pedagógica como forma de interagir nas funcionalidades diante nossas futuras posições como professores.
A oficina surgiu da iniciativa em observar um espaço não formal, onde por decisão do grupo, escolhes a APAE (Associação de Pais e Amigos Excepcionais) de Irecê Bahia.
“O que significa ser profissional? Que profissional se quer formar? Qual a contribuição da área na construção da sociedade humana, de suas relações e de suas estruturas de poder e de dominação? Quais os nexos com o conhecimento científico produzido e em produção?”
“Entendemos que o estágio se constitui com um campo de conhecimento, o que significa um estatuo epistemológico que supera sua tradicional redução à atividade prática instrumental. Enquanto campo de conhecimento, o estágio se produz na interação dos cursos de formação com o campo social no qual se desenvolvem as práticas educativas. Nesse sentido, o estágio poderá se constituir em atividade de pesquisa." (PIMENTA, Selma Garrido).
Diante toda uma preocupação com a arte de ensinar, nos vimos na obrigação de nos prepararmos de imediato, a partir do momento em que somos estudantes para encarar a sala de aula com responsabilidade. Com isso, buscamos o contato com os “alunos especiais” na intenção de ir ganhando o carisma, o cuidado, a atenção necessária que o professor e aluno devem retribuir. O contato inicial surge com muita espontaneidade, onde o espaço nos possibilita um ambiente ungido de muita paz, amor e alegria.

2.   A OBSERVAÇÃO

Fundada em 20 de novembro de 2000, a APAE é uma associação civil, filantrópica, de caráter educacional, cultural, de saúde, assistencial, de estudo e pesquisa, desportiva e outras. Sem fins lucrativos, que tem como objetivo promover e/ou estimular o desenvolvimento de programas de prevenção da deficiência, de promoção, de proteção, de inclusão, de defesa, de direitos da pessoa com deficiência, oferecendo Programas Educacionais adequados, fazendo-os participar e realizar-se no meio em que vivem de acordo com seus interesses, necessidades e possibilidades, favorecendo o seu desenvolvimento global e visando a sua inclusão na sociedade.
A APAE de Irecê, apesar de existir a dez anos, não possui sede própria e precisa arcar mensalmente com despesas de aluguel, água, telefone, luz, alimentação, pessoal, entre outros. A instituição atende cerca de 200 crianças e adolescentes de Irecê e Micro Região, todos com necessidades especiais. A receita vêm de doações voluntárias, sócio-colaboradores, campanhas feitas pelas comunidades, bingos, feijoadas e atividades realizadas pelos pais, funcionários e colaboradores.
No primeiro dia de observação, fomos introduzidos numa sala de tamanho mediano. A professora e mais três auxiliares trabalhavam com recortes, numa mesa disposta em sentido lateral ao que se encontravam as crianças e adolescentes de idades variáveis entre os oito aos dezessete anos. Havia apenas uma garota de uns oito anos. Todos eles estavam sentados num grande tapete, sobre o qual se encontravam algumas almofadas.
Nossa primeira atenção dirigiu-se aos adolescentes. Eles comportavam-se alegremente, conversavam entre si, embora fosse visível que o comportamento emocional não acompanhasse a idade biológica. Não obstante, eles eram observadores, e notaram a peculiaridade de um colega nosso ser surdo e estar usando um aparelho auditivo, fato que constatamos, inclusive o nosso colega de pesquisa, pela troca de olhares e aceno de cabeça entre si.
Percebemos que seria fácil trabalhar com eles. Após ter anotado nosso parecer, observamos a garota vestida com gosto apurado, muito bonita, com a cabeça ladeada por duas tranças. Ela sentava-se ereta, com as pernas cruzadas em posição de lótus da ioga. Pareceu-nos “normal”, até o instante em que ela levou o dedo indicador ao nariz e, em seguida, à boca. Inferimos, não com certa dúvida, que se tratasse de uma garota com autismo, levando em conta que a deficiência é rara em meninas. Em espaços alternados, ela gesticulava os braços, como se lembrando de algo ou exprimindo uma emoção repentina.
Em seguida, nossa atenção foi despertada por um garoto em cadeira de rodas, sempre inquieto. Os traços de seu rosto eram suaves, o que despertava carinho e atenção por parte do professor. Ele permanecia inquieto a maior parte do tempo, e parecia indiferente às tentativas de comunicação realizadas pelos professores. Um filme animado estava sendo exibido, e notamos que todos os alunos mostravam-se interessados nele apenas quando surgia uma música, especialmente o garoto da cadeira de rodas.  Logo, soubemos que era autista, também. Finalmente, havia mais dois garotos: um, aos fundos, calmo, mas indiferente.
Outro, sempre agitado e com certa agressividade, contida facilmente por uma das auxiliares. Uma colega de curso disse-nos que os dois eram autistas. Após o término dessas observações, nós, do grupo de observação, aproveitamos o intervalo para socializar as conclusões a que chegamos.
É perceptível uma boa convivência entre todos os especiais. Todos assistiam a um desenho animado sobre o natal, por ser o período natalino. Em suas camisas, o slogan “SER DIFERENTE É NORAMAL” é estampado com muita nitidez e brilho. O uso da TIC se faz presente como apoio metodológico da professora, que os servem do vídeo, e no decorrer da programação, “uma das personagens reconhece uma jovem que possui um blog e a cumprimenta e se apresenta”.
Existiu também um momento muito especial em que um dos especiais procura a professora para brincar. Ambos brincam de mãos dadas, havendo assim um bom convívio interacional. Outro aluno é carinho com a professora, beijando-a.
O espaço que os abrigam, é composto por direção, quadra esportiva, cantina, salas de aula, centro de apoio especializado, com fisioterapia. Dispõe também de alunos do EJA (Ensino de Jovens e Adultos), com sala diferenciada. No total, são oito professoras, sete núcleos (salas), duas salas de psicopedagogas, um almoxarifado, sala da coordenação, com planejamento quinzenal. Uso dos primeiros socorros. O estudo é em cima da patologia individual. É identificado alunos altistas, pintores (artistas).
Aula de artes. A professora ensina um coro musical, onde cada aluno aprende a tocar um instrumento. Os alunos cantam e tocam as músicas “Peixe Vivo” e “Como é grande o meu amor por você - (Roberto Carlos)”. A professora realiza uma aula lúdica, envolvendo cada aluno em uma interpretação teatral. A aluna Letícia, tenta consertar um brinquedo, o qual lhe serve de som para o coro musical, tendo dificuldade, até o momento que um dos nossos colegas se dispõe a ajudá-la e ela agradece, humildemente.
 Foram gravados vídeos dos ensaios das apresentações teatrais e musicais, para servir de material para uma apresentação acadêmica da professora de artes. Tosos os alunos se comportam alegremente em cada momento de nossas observações. As professoras mostram grande capacidade de domínio, tanto no trabalho em grupo, como na atenção individual, sem preconceitos e muito profissionalismo.
Concluímos que o teatro, a música e as brincadeiras lúdicas, no caso das crianças autistas, seriam boas aliadas para trabalhar a interação e a ludicidade. Faltava-nos, porém, rever os estudos que fundamentassem a nossa teoria. Todos eram de conformidade que devíamos trabalhar de maneiras diferentes a ludicidade para chegarmos a um resultado satisfatório.
Passamos assim, a produzir nosso trabalho com um foco na pesquisa científica, voltado exclusivamente para os conceitos de teoria e prática e também com aprofundamento em relação aos alunos portadores de necessidades especiais, buscando conhecer algumas de suas patologias e encontrando caminhos para atender com a atenção necessária os casos específicos.
Sabe-se que o desafio da educação brasileira é o desenvolvimento de uma educação de qualidade, que tenha como principal objetivo a inclusão reconhecendo as diferenças como forma de enriquecimento do ensino-aprendizagem.
Neste sentido, surgiu a ideia de promover oficinas na APAE – Irecê, no intuito de promover uma educação inclusiva, além de vivenciar como se dá o processo de aquisição do conhecimento com a convivência com alunos portadores de necessidades especiais.
Escolhemos esta Instituição devido à possibilidade de um contato mais próximo com estas crianças, pois, a Educação Regular não proporcionaria esta experiência, devido a inclusão ainda não ser uma realidade nesse meio.
A partir das fases de desenvolvimento das oficinas destacamos que mesmo com suas limitações, as crianças com necessidades especiais, disponibilizam de um potencial muito grande para o aprendizado, são atenciosas e carinhosas.
Além disso, percebemos que os centros específicos de apoio a estas crianças disponibilizam de toda uma estrutura que atenda exclusivamente as peculiaridades destes alunos e orientam também seus pais.
Através de constantes observações percebemos que as crianças portadoras de necessidades especiais necessitam não de um atendimento diferenciado, mas apenas de aproximação e carinho, com isso, percebemos que a ludicidade seria o meio capaz de proporcionar nestas crianças o desenvolvimento da autoestima, bem como a aproximação, e a capacidade de abstração para a construção de habilidades comunicativas.
Assim, nossas ações tiveram uma perspectiva de promover a inclusão de forma dinâmica e prazerosa, através de brincadeiras lúdicas, músicas, teatro, etc. Percebemos que a inclusão é possível, basta o educador disponibilizar de metodologias e ferramentas inovadoras que atendam as peculiaridades das crianças portadoras de necessidades especiais.

3. AS ATIVIDADES NA INSTITUIÇÃO

Depois das observações, tivemos como tarefa, a produção de um projeto de intervenção, com o objetivo de usar métodos para serem aplicados com os alunos através de uma oficina. Para isso, nos reunimos, e decidimos elaborar de início, um formulário de perguntas para os professores, parte administrativa, direção, no sentido de buscar respostas necessárias para aprofundar nossas intervenções, com a aplicação de oficinas no local.
O formulário foi destinado especificamente aos professores da Associação, com perguntas do tipo: Quais são as dificuldades para trabalhar a socialização das crianças, jovens e adultos especiais? Quantas turmas existem na APAE? As crianças são separadas por faixa etária? Em função das necessidades especiais distintas, há possibilidade de trabalhar a socialização das crianças coletivamente? Quais as atividades desenvolvidas e suas funções específicas? A nossa cidade apresenta um número considerado de crianças, jovens e adultos especiais recebendo a atenção necessária? Como nossos representantes podem oferecer mais atenção?
Tivemos como título do projeto “Educação especial e Ludicidade”, com a intenção de trabalhar a interatividade, a ludicidade, com crianças, jovens e adolescentes especiais, no sentido de oferecer o teatro, a música e brincadeiras lúdicas, capazes de desenvolver competências e habilidades básicas e essenciais para o desenvolvimento de todos.
O primeiro dia teve como abertura um “Teatro de Fantoches”, onde surgiu a ideia de levar um diálogo lúdico, onde estavam presentes três personagens: Beto, amigo de Margarida, e o palhaço Paçoca, triste, apesar de levar a alegria. Os alunos se envolveram no texto, prestando muita atenção, onde o silêncio reinou durante todas as falas e apresentando reações hilárias, quando vinham como intenção.
Houve o momento de brincadeiras lúdicas, apresentadas com o apoio de materiais educativos, onde a música animou a todos e oferta de doces para “gratificar” os participantes. Entre as brincadeiras, destaca a “Balão de Gás”, onde eram chamados de dois em dois participantes para o centro da sala, entregue balões de festas, e com o sinal de “valendo”, com o ritmo da música, ambos deveriam encher os balões até quem conseguisse o estourar primeiro. Em cada estouro, a alegria era estampada e brilho presentes nos olhos.
“Advinha o que é”, outra brincadeira lúdica, que tinha o propósito de vendar os olhos de um por um dos participantes, exposto no centro da sala, e lhe apresentando um objeto, onde através do tato, teria que dizer a que objeto se referia. E também a “Dança das cadeiras”, com um círculo de cadeiras e outra de participantes ao redor, sendo que, para o número de participantes, haveria uma cadeira a menos, e ao som da música, todos deveriam rodar, e com o silêncio da música, deveriam sentar-se, sobrando um, que seria eliminado, restando dois participantes e uma cadeira, havendo um vencedor no final.
Tivemos também o momento de pintura, onde foi distribuído desenhos em folhas de ofício A4, na intenção de existir uma pausa para a concentração minuciosa, onde ao som de uma música suave, os especiais pintaram os desenhos de forma colorida, dignos de uma perfeição admirável.
“A formação do professor, por sua vez, dar-se-á pela observação e tentativa de reprodução dessa prática modelar; como um aprendiz que aprende o saber cumulado. O estágio então, nessa perspectiva, reduz-se a observar os professores em aula e a imitar esses modelos, sem proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa.” (PIMENTA, Selma Garrido).
“A ação (cf. Sacristán, 1999) refere-se aos sujeitos, seus modos de agir e pensar, seus valores, seus compromissos, suas opções, seus desejos e vontade, seu conhecimento, seus esquemas teóricos de leitura do mundo, seus modos de ensinar, de se relacionar com os alunos, de planejar e desenvolver seus cursos, e se realiza nas práticas institucionais nas quais se encontram, sendo por estas, determinados e nelas determinando. Se a pretensão é alterar as instituições com a contribuição das teorias, é preciso compreender a imbricação entre sujeitos e instituições, ação e prática.”
Sendo assim, tivemos a oportunidade de colocar em prática nossa teoria e buscar uma teoria a partir da prática que aplicamos. Cada reação dos alunos, a nossa própria descoberta como contribuintes no espaço não formal, mesmo diante toda uma adaptação institucionalizada, que é a Associação, serviu-nos de preparo para a vivência futura da sala de aula. O contato direto, a mensagem transmitida, nasce em cada um de nós a certeza de que a educação é algo sério a ser trabalhada, e que é preciso sim muito amor e dedicação, para se fazer um trabalho digno e de qualidade.


3.   CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio como pesquisa na APAE revelou-nos um ineditismo da condição humana. Tal como consta no slogan da APAE estampado nas camisetas dos alunos especiais, somos iguais nas diferenças. Isso equivale dizer que, nas diferenças, cada ser humano é único, traz consigo um bojo de experiências pessoais que o tornam irrepetível perante os outros.
“O desafio é proceder ao intercâmbio, durante o processo formativo, do que se teoriza e do que se pratica em ambas. Esse movimento pode ser melhor realizado em uma estrutura curricular que supõe momentos para reflexão e análise das práticas institucionais e das ações dos professores, à luz dos fundamentos teóricos das disciplinas e das experiências de seus profissionais.” (PIMENTA, Selma Garrido).
Um autista nunca é igual a outro.  Mesmo no misterioso mundo interior em que vive, cada um deles exprime no comportamento o resultado de suas interações com o meio e o que o formou como herança genética.
O mesmo se repete nas variadas condições excepcionais dos outros alunos. Síndrome de Down, Dandy-Walker, entre outros, agem, em suas diferenças, como qualquer ser humano. Podem ser tímidos, silenciosos, atentos, loquazes, sempre dentro de suas limitações. É isso que deve ser trabalhado. É a partir dessa percepção, do diferente nas diferenças, que surgem as diretrizes educacionais.
“Os estudos e pesquisas sobre o Estágio Supervisionado como componente curricular têm se realizado de forma mais sistemática nos Encontros Nacionais de Didática e Prática de Ensino – ENDIPE – e em apresentação de pesquisas e trocas de experiências ocorridas nesses eventos. Tais estudos não são desligados da realidade histórico-social que os sustenta, mas acompanham a compreensão do Estágio no processo histórico dessa disciplina no Brasil. É importante observar que a prática sempre esteve presente na formação do professor (Pimenta, 1994:23).”
Essa experiência de estágio na APAE nos serviu para um crescimento pessoal, profissional, no momento em que estamos aptos a dar continuidade na pesquisa, nos servindo de exemplos para mostrar que o estágio é sim uma pesquisa, e daí, é possível surgir um aprofundamento na área específica. Estudar o comportamento humano, como a educação, é uma tarefa que nos proporciona um retorno satisfatório pessoal e moral.

 APÊNDICES E/OU ANEXOS


REFERÊNCIAS

BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos.

FÁVERO, Eugência Augusta Gonzaga, 1969 – Aspectos legais e orientação pedagógica / Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, Luísa de Marillac P. Pantoja, Maria Teresa Eglér Mantoan. – São Paulo: MEC/SEESP, 2007. 60p. – (Atendimento educacional especializado);

Filme: Como Estrelas na Terra, toda criança é especial. Direção: Aamir Khan, Amole Gupte. Produtor: Aamir Khan.

O Behaviorismo. Transição do capítulo 3 do livro de BOCK, Ana; FURTADO, Odair e Teixeira, Maria. Psicologias. Uma introdução ao estudo da Psicologia. São Pualo: Saraiva, 1992. Pág. 38-47;

São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica.
Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais / Secretaria Municipal de Educação – São Paulo: SME / DOT, 2007.

  
¹ Discentes do Curso de Letras, turma 2009.2, Universidade do Estado da Bahia - Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas - Campus XVI – Irecê – BA. ludembergpereira@hotmail.com, mariclau2001bsgb@gmail.com, milton.ocj@hotmail.com, soniamarlenefigueiredo@hotmail.com.

Um comentário:

Hedra Mariani disse...

Fantástico trabalho. É incrível quando nos propomos a fazer a diferença na vida de alguém. Gostaria de poder conversar com um dos responsáveis pelo trabalho, uma vez que sigo um projeto no mesmo intuito.

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